domingo, 16 de dezembro de 2012

São Vicente: pouco conhecido, Mirante Niemeyer proporciona uma das mais belas vistas da Baixada Santista

Mirante Niemeyer, em São Vicente - São Paulo - Por Tito Garcez
Mirante Niemeyer, em São Vicente (Fotos de julho de 2012)
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Há alguns dias, o Brasil e o mundo perderam uma de suas principais personalidades da área da arquitetura. Oscar Niemeyer projetou, principalmente no país, dezenas de obras que se transformaram em ícones nacionais. Várias viraram, inclusive, importantes pontos turísticos. Em se tratando do turismo, decidi preparar um relato que mostra uma das construções que deve ser das mais "tímidas" e desconhecidas do arquiteto, contudo, o seu destaque fica por conta de outra coisa. Já saberemos...


Vista da baía de Santos a partir do mirante Niemeyer, em São Vicente
Vista da baía de Santos a partir do mirante Niemeyer


Monumento Niemeyer, em São Vicente - São Paulo
Mirante Niemeyer 
A cidade de São Vicente, localizada na Baixada Santista, no estado de São Paulo, estando a 61 km da grande São Paulo, foi  a primeira vila fundada no Brasil, em 1532, por Martim Afonso de Sousa, tendo dado início à colonização portuguesa no país. Sendo assim, ela é considerada a primeira cidade brasileira. Mas, apesar desse importante título, pouco restou do que foi construído naquela época. Parte disso se deve ao fato que, em 1542, a vila sofreu com o avanço do mar, e, também, por conta das construções posteriores à transferência de localização da sede da vila terem sido descaracterizadas com o passar do tempo.



Orla de Santos vista a partir do mirante Niemeyer, em São Vicente
Orla de Santos vista desde o mirante




Apesar de São Vicente ter perdido parte importante de sua história, a cidade reserva alguns pontos de interesse turístico. Os principais são a Ponte Pênsil, que, construída em 1914, foi a primeira construção nesse estilo a ser totalmente idealizada e montada no país; o Morro Voturuá, também conhecido como 'da Asa Delta', que pode ser acessado através do teleférico que tem como base a praia do Itararé; e o mirante Niemeyer.




O Mirante Niemeyer

Ele está localizado na ilha Porchat, mais especificamente ao final da Alameda Ary Barroso. A ilha por si só já pode ser considerada um interessante atrativo turístico que merece ser visitado. As ruas tranquilas e arborizadas são reduto de alguns prédios residenciais, bem como algumas mansões, boates, hoteis e restaurantes. O mirante, oficialmente chamado de 'Memorial dos 500 Anos de Descobrimento', foi inaugurado em 2002. Estando a 76 metros de altura acima do nível do mar, a construção se projeta a 17 metros após a encosta. Da construção em forma de asa côncava, que como eu disse é uma da mais tímidas do arquiteto, o destaque fica para a vista que pode proporcionar ao visitante.


Memorial dos 500 Anos, em São Vicente
Mirante Niemeyer

A partir do mirante, é possível visualizar boa parte das orlas tanto de São Vicente quanto de Santos. Essas duas cidades são conurbadas, ou seja, na prática não se nota onde uma começa e onde a outra termina. Vale destacar que essa região praiana é muito visitada tanto por moradores de grande parte do estado de São Paulo, afinal ali existem algumas das praias mais acessíveis, como também por turistas de outros estados e países. Essa última questão se deve principalmente ao fato de o porto de Santos ser considerado, além do maior porto cargueiro da América Latina, o que possui maior movimentação de navios de passageiros.


Vista das baías de São Vicente (esquerda) e de Santos (direita) desde o mirante Niemeyer , em São Vicente
Vista das baías de São Vicente (esquerda) e de Santos (direita) desde o mirante Niemeyer 


Vista da orla de Santos desde o mirante Niemeyer, em São Vicente
Vista da orla de Santos a partir do mirante Niemeyer


Bem, é possível passar alguns minutos apreciando principalmente praias como a dos Milionários e a do Gonzaguinha, na baía de São Vicente, bem como a do Itararé, a de José Menino e a de Gonzaga, na baía de Santos. É possível ver, também, o morro da Asa Delta e o teleférico, além, é claro, do 'skyline' (paisagem de edifícios) formado por construções que fazem com que as cidades sejam duas das que possuem orlas mais densamente povoadas no Brasil. De lá, é até possível ver, com muita boa vontade, parte da Ponte Pênsil.


Ilha Porchat e parte da baía de São Vicente desde o mirante Niemeyer, em São Vicente
Ilha Porchat e parte da baía de São Vicente vistos a partir do mirante


Paisagem de São Vicente vista a partir do mirante Niemeyer, em São Vicente
Paisagem de São Vicente


Enfim, apesar da simplicidade da construção em si, uma visita ao lugar vale a pena principalmente por conta da  sua principal razão de existir: ser um mero mirante sobretudo para as paisagens que fazem parte da primeira cidade do país. Essa é uma motivação mais do que merecida. E, por ter sido projetado por nada mais nada menos que Oscar Niemeyer, considero que São Vicente, bem como a Baixada Santista como um todo, recebeu um presente duplo. Por enquanto, essa é a única construção projetada por ele, já construída em todo o litoral paulista. Há que se valorizar, não é?! :)


Termômetro em cima de prédio da ilha Porchat, em São Vicente
Termômetro no alto da ilha Porchat, em São Vicente



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Salvador: Apreciando o espetacular pôr-do-Sol na Barra

Pôr-do-Sol na baía de Todos-os-Santos, em Salvador
Pôr-do-Sol na baía de Todos os Santos, em Salvador  (Fotos de novembro de 2012)
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Se há uma capital brasileira que é conhecida por ter uma das maiores orlas, ela é São Salvador da Bahia, ou, melhor dizendo, simplesmente Salvador. Também conhecida pela grande história e pela rica cultura, a primeira capital brasileira é um dos destinos mais visitados por turistas do país e de fora dele. O meu primeiro relato sobre a cidade não poderia fugir das belezas naturais, então nada melhor do que falar sobre o famoso pôr-do-Sol na Barra. Mas antes abordarei um pouco sobre esse bairro.






Pôr-do-Sol na Barra, em Salvador
Pôr-do-Sol visto da Barra
Pôr-do-Sol na Barra, em Salvador
Final de tarde na baía de Todos os Santos

























A Barra

Localizada especificamente na ponta da península onde se encontra Salvador, a Barra tem uma localização estratégica. De um lado do bairro está o oceano Atlântico e, do outro, está a baía de Todos os Santos, a maior dentre as existentes em território brasileiro. O legal é que, para os que curtem praia, há opções para todos os gostos. No lado oceânico, em razão das ondas, dá até para surfar na praia da Barra. Já para quem curte uma praia com águas mais tranquilas, a do Porto da Barra, que fica em frente à baía, é a ideal. Contudo, apesar da tranquilidade das águas, essa última possui uma pequena extensão, portanto, é uma das que possuem o metro quadrado mais disputado por banhistas sobretudo aos finais de semana e feriados. Já para os que gostam de mergulhar, a praia que fica ao lado direito do Forte de Santo Antônio da Barra (Farol da Barra) é ótima para essa prática.  


Fragata ancorada na baía de Todos os Santos vista desde a Ladeira da Barra, em Salvador
Fragata ancorada na baía de Todos os Santos vista desde a Ladeira da Barra

Esse é um dos mais tradicionais bairros da cidade e é, também, um dos mais charmosos e famosos. Reduto de famílias tradicionais, a Barra tem se consolidado como um dos locais com maior quantidade de opções de hospedagem da capital baiana. Juntando as opções existentes no seu vizinho, o bairro de Ondina, e também no do Rio Vermelho, essa região de Salvador também impressiona pela quantidade de bares e restaurantes que ajudam a agitar a vida noturna da cidade.


Final de tarde na praia de Porto da Barra, em Salvador
Final de tarde na praia do Porto da Barra. À esquerda, o forte de Santa Maria.

Final de tarde na Barra, em Salvador
Final de tarde na Barra 

É fácil perceber que grande parte das pessoas que transitam pelo bairro são turistas, mas os soteropolitanos também se fazem presentes, inclusive no próprio calçadão que, apesar de não ser dos mais amplos, é um dos espaços mais disputados sobretudo de manhã e ao final da tarde. Enquanto os visitantes caminham despretensiosamente, os moradores costumeiramente usam o espaço para praticar atividades físicas. 


Final de tarde na baía de Todos os Santos, em Salvador
Final de tarde na baía de Todos os Santos


Os fortes

Justamente pela localização privilegiada, na Barra foram construídos três fortes que ajudavam a proteger a cidade de Salvador quando ela ainda era capital do Brasil. O mais conhecido deles é o Forte de Santo Antônio da Barra, que é onde foi instalado o Farol da Barra. Por conta disso é que acabam por chamar o forte de farol, mas é bom esclarecer que elas são duas construções distintas. Esse forte é justamente a construção que divide oceano Atlântico da entrada da baía de Todos os Santos, então ele fica na "pontinha" da cidade. Esse é, sem dúvida, um dos principais atrativos turísticos da capital baiana e, além de ser possível visitar o seu interior, onde funciona o Museu Náutico, há alguns meses também se tornou possível visitar o farol em si. 


Forte de Santo Antônio da Barra e Farol da Barra ao final da tarde, em Salvador
Forte de Santo Antônio da Barra e o Farol da Barra após o pôr-do-Sol 

O forte de Santa Maria e o forte de São Diogo são os que delimitam as extremidades da praia do Porto da Barra. À esquerda, o Santa Maria chama a atenção e é uma ótima pedida para fotos. Dificilmente ele não sairá em uma fotografia panorâmica que mostre a praia. Já o de São Diogo, que fica na ponta direita, está mais integrado ao entorno urbano e, também por ser menor, não chama tanto a atenção. Entretanto, em se tratando desses dois ex-defensores da cidade, só último é aberto à visitação. 


Pôr-do-Sol na baía de Todos os Santos e forte de Santa Maria, na Barra, em Salvador
Pôr-do-Sol e forte de Santa Maria, na Barra 

Final de tarde na baía de Todos os Santos, na Barra, em Salvador
Final de tarde na baía de Todos os Santos e forte de Santa Maria


Enfim, o pôr-do-Sol

Se há um programa que normalmente agrada a todos, é apreciar esse espetáculo natural. E em Salvador ele pode ser visto de inúmeros "mirantes". Os mais conhecidos são o do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), o da Ponta do Humaitá, no bairro de Monte Serrat e, é claro, o que pode ser apreciado desde parte da orla da Barra. O que justifica essa gama de opções para se ver o espetáculo é a localização de parte da cidade que está voltada para a baía de Todos os Santos. Como exemplo, é basicamente o que acontece em Porto Alegre, com destaque para o pôr do Sol visto desde a Usina do Gasômetro. 


Pôr-do-Sol visto da Barra, em Salvador
Pôr-do-Sol na baía de Todos os Santos visto da Barra 

Em se tratando da Barra, um dos pontos mais procurados para a apreciação é aos pés do forte de Santo Antônio da Barra. Ali, habitualmente dezenas ou centenas de pessoas costumam observar, extasiadas, esse espetáculo que poucas vezes se "ausenta" e que não cobra para ser admirado. Ele também pode ser visto por toda a extensão da orla entre o dito forte e o de São Diogo, passando pela praia do Porto da Barra. É lá que muitas outras pessoas costumam observá-lo, seja desde a areia ou a partir do parapeito do calçadão. Enfim, nessa cidade, lugar para apreciação é o que não falta, e como tem que ser, ao final de qualquer espetáculo, o protagonista, que no caso é o Sol, costuma ser aplaudido pelos espectadores. Lindo, não?! 

Não deixe de ter essa experiência! ;)


Forte de Santo Antônio da Barra e Farol da Barra ao pôr-do-Sol, em Salvador
Forte de Santo Antônio da Barra e Farol da Barra ao final da tarde


Pôr-do-Sol na baía de Todos os Santos, em Salvador
Final de tarde na baía de Todos os Santos



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

São Paulo: Um passeio pelo Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga


Flores e fachada do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Flores e fachada do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo (Fotos de julho de 2012)
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Sampa... O que falar da nossa maior metrópole?! Muita coisa! A cidade tem inúmeros atrativos turísticos, sobretudo no âmbito cultural. Mas não poderia começar o meu primeiro relato sobre São Paulo sem falar de um dos principais museus brasileiros, lugar esse que possui uma localização privilegiada próximo às margens de onde acredita-se que Dom Pedro I, em 1822, proclamou a independência do Brasil. É hora de falar sobre o Museu do Ipiranga, que, apesar de ser popularmente chamado dessa forma, é oficialmente chamado de Museu Paulista. 


Jardim e Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Jardim do Museu Paulista 

Administrado pela Universidade de São Paulo (USP), o Museu Paulista funciona num prédio que foi construído com o objetivo de ser um edifício-monumento que homenageia a independência brasileira. Por isso, a localização escolhida não é uma mera coincidência. Ele faz parte do conjunto paisagístico do Parque da Independência e a sua imponência e a arquitetura eclética, com inspiração num palácio renascentista,  chamam muito a atenção. Tudo isso graças, principalmente, ao arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, que foi o responsável pela concepção do projeto. O museu foi oficialmente inaugurado em 7 de setembro de 1895, dez anos após o início de sua construção. 

Bandeira da Universidade de São Paulo na fachada do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo
Bandeira da USP na fachada do Museu Paulista 


Visita ao interior do museu

Visitar o Museu do Ipiranga é algo que definitivamente tem que ser feito por quem visita a cidade de São Paulo. O visitante tem a oportunidade de conhecer não só a respeito da história da cidade e do estado, mas também da história do Brasil. Composto por milhares de peças, entre elas muitas pinturas e objetos de época, o enorme acervo fixo e temporário faz com que o passeio possa durar várias horas. 

Detalhe da placa do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Detalhe da placa do Museu Paulista

Adoraria mostrar um pouco do interior do museu, mas, infelizmente, fotografias não são permitidas, bem como o uso de telefone celular. Sendo assim, falarei com base no que  pude vivenciar. A visita começa no piso térreo, e no hall a pessoa já tem a oportunidade de ver algumas interessantes peças, com destaque para duas grandes esculturas de mármore de Carrara que representam os bandeirantes Fernão Dias e Raposo Tavares. Do hall tem-se a visão da grandes e curiosas escadarias do edifício que dão acesso ao primeiro andar, mas como lá está a parte principal da visita, deixarei para falar no final. 


Busto de José Bonifácio de Andrada e Silva, conhecido como Patriarca da Independência, no jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Busto de José Bonifácio, conhecido como Patriarca da Independência, no jardim do Museu Paulista 

Ainda no térreo, próximo às escadarias, na época que estive lá, visitei uma exposição temporária intitulada "Nossos Pequeninos" que era sobre "bebês". O pequeno acervo é composto por fotografias e "reclames" de entre 1860 e 1940. Curiosamente, naquela época até crianças eram chamadas de "bebês". Foi interessante começar a visita vendo essa curiosa exposição. Depois, seguindo para o largo corredor ao lado direito, inicia-se uma ala com salas que abrigam principalmente pinturas sobre o começo da colonização do Brasil e do Movimento Bandeirante. Algumas delas são velhas conhecidas nossas por causa dos livros de história. 


Fontes do jardim do Museu do Ipiranga, em São Paulo - Por Tito Garcez
Fontes do jardim do museu

Ao final da ala sobre a colonização, a principal atração é uma maquete em 3D que mostra como era a cidade de São Paulo em meados do século 19. O visitante tem a oportunidade de, em telas sensíveis ao toque, descobrir onde estão (ou estavam) as principais  ruas e igrejas, os principais conventos, enfim, os principais locais da época. À esquerda, na outra ala do térreo, as peças expostas são principalmente ferramentas de trabalho históricas e também carros que demonstração a modernização dos serviços públicos. É nessa ala que existe um espaço destinado à venda de souvenirs do museu. 

Os pombos são alguns dos visitantes frequentes do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo
Os pombos são alguns dos visitantes frequentes do Museu Paulista 

Voltando ao hall, pode-se descer para o subsolo, que infelizmente visualmente pouco mostra das características da época. Essa ala menor abriga exposições rotativas, um tanto aleatórias. Lá o visitante encontra variados tipos de peças, desde pinturas, bustos, até uma interessante coleção de ferros de passar roupas. Para não dizer que com o tempo tudo foi descaracterizado, há uma passagem estreita que dá acesso justamente à sala onde se expõe os ferros de passar. Nela se nota características originais da construção, sem grandes modificações. No subsolo, observa-se também, que boa parte do espaço é reservado para a administração, para a pesquisa ou até para a restauração de peças do acervo. 

Poste e parte da fachada frontal do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo
Poste e parte da fachada frontal do Museu Paulista 

Saindo do subsolo e voltando ao térreo, chega o momento de finalmente subir as interessantes e curiosas escadarias. Digo curiosas pois elas possuem uma característica nunca antes vista por mim. Principalmente nos corrimões você tem a oportunidade de notar mais de uma dezena de esferas de cristal que guardam alguns litros de água dos principais rios brasileiros. É interessante notar a diferença de tonalidade do líquido de rios como o São Francisco, do Amazonas ou do Uruguai. Você vê um pouco de água de rios de todas as regiões do país. Isso faz com que a escadaria do museu são seja apenas mais uma entre muitas. Na subida, além das esferas, também é possível ver mais pinturas e algumas esculturas de bandeirantes. 

Detalhe do jardim do Museu do Ipiranga, em São Paulo
Diferentes tons de verde

Chegando ao primeiro andar, a primeira sala é o salão nobre, e essa é a principal de todo o museu. Ao entrar, o visitante nota um lugar dotado de muita pompa, seja pelos detalhes da ornamentação ou pelas peças expostas. Bom, em se tratando das peças, não tem como não falar da mais famosa de todo o acervo. Aliás, essa pode ser considerada a obra mais importante do Brasil. Se você pensou logo na pintura intitulada 'Independência ou Morte', do pintor Pedro Américo, você acertou. Em frente a ela existe alguns bancos onde pode-se sentar e passar alguns minutos apreciando os seus detalhes e a sua beleza. Confesso que pessoalmente ela é muito mais interessante. São tantos os detalhes que você não sabe bem para onde olhar. Também vale a pena dispensar um tempinho para observar as outras peças da sala, entre elas outras lindas pinturas e interessantes objetos.

Detalhe da fachada frontal do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Detalhe da fachada frontal do museu

No restante das salas do primeiro piso, o visitante encontra principalmente móveis e objetos de época, armas e informações sobre a época áurea do cultivo do café. Mas uma dessas salas delas reserva algo diferente. Nela é possível ver uma maquete de gesso do edifício-monumento que abriga o museu. Em um primeiro momento você nota que tem algo de diferente, então logo percebe-se que a mesma retrata como seria a construção caso todo o projeto tivesse saído do papel. O lugar seria ainda mais imponente, pois teria outras duas alas laterais, mas infelizmente na época isso não foi possível por falta de dinheiro.   

Fachada frontal do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga) e busto de José Bonifácio, em São Paulo
Fachada frontal do Museu Paulista e busto de José Bonifácio


O jardim em estilo francês

Não só da visita ao interior do museu se faz o passeio pelo lugar. Um dos pontos altos está justamente fora, no jardim. Construído em estilo francês, ele é rebaixado, possibilitando assim uma ampla visão do prédio. E a partir das escadarias do museu tem-se uma bela vista tanto do jardim como da continuação do Parque da Independência, onde foi construído um grande monumento, estando esse de fato às margens do riacho do Ipiranga, mas isso é tema para uma próxima postagem.  

Jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Jardim do Museu Paulista

Alguns exemplares de flores do jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo
Flores do jardim do museu

No jardim, o que mais chama a atenção é, sem dúvida, os espelhos d'água e as fontes, assim como os vasos e esculturas que ornamentam o lugar. Além disso, o cuidado com a flora e seu colorido também se destacam. O jardim consegue valorizar ainda mais o lugar, e esse é, inquestionavelmente, um dos locais de São Paulo mais agradáveis para se passar algumas horas caminhando, lendo um livro ou simplesmente observando as joaninhas que por lá habitam. Sim, é possível ver muitas delas se tiver paciência para procurar em algumas plantas. Como o acesso ao jardim é gratuito, não há que se preocupar com maiores gastos que não sejam o de deslocamento. 

Flor no jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Rosa no jardim do Museu Paulista

Ornamentos sequenciais nos espelhos d'água do jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo
Ornamentos sequenciais nos espelhos d'água do jardim do Museu Paulista 

Não deixe de visitar o "Museu Paulista do Ipiranga" para conhecer mais a respeito da história não só de São Paulo como também do Brasil, e aproveite para relaxar em seu jardim! ;)


Rosas no jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Flores no jardim do Museu Paulista


Pássaro e luminária no jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo
Pássaro e luminária
Localização: O museu está localizando no Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
Dias e horários de visitação: de terça-feira a domingo, das 9:00 às 17:00
Ingresso: R$6,00 (inteira) R$3,00 (meia-entrada)
Não há cobrança nas seguintes situações: 
- No primeiro domingo de cada mês 
- Para menores de 6 anos e para maiores de 60 anos
- Membros da comunidade USP
- Membros do ICOM
- Pessoa com deficiência com um acompanhante
- 01 Professor ou monitor, para cada 20 alunos
- Dias 25 de Janeiro e 7 de Setembro
Como chegar de carro: O bairro do Ipiranga localiza-se na zona sul da cidade de São Paulo. As principais vias de acesso às proximidades do Museu são: avenida do Estado; avenida D. Pedro I; avenida Ricardo Jafet; rua Bom Pastor; avenida Nazaré.

Abelha no jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Tito Garcez
Abelha
Como chegar de ônibus: Através das linhas 478P - Ipiranga/Pompéia; 478P – 31 ou 10 – Pompéia/Sacomã; 5028 - Conj. Hab. Heliópolis/Museu do Ipiranga; 5108 - Pq. D. Pedro II/Jd. Celeste; 4113 - Gentil de Moura/Pça. da República; 4706-21 - Jd. Maria Estela/Vila Mariana; 4706-10 - Vila Mariana/Ipiranga; 174M - Jd. Brasil/Museu do Ipiranga.

Como chegar usando metrô e ônibus: Na estação Alto Ipiranga, pegar a linha 4113 - Pça da Repúbica/Gentil de Moura; Na estação Vila Mariana, pegar a 4706-10 - Ipiranga/Vila Mariana ou
4706-21 - Jd. Maria Estela/Vila Mariana; Na estação Pedro II, pegar a 5108 - Pq. D. Pedro II/Jd. Celeste.

Como chegar de trem da CPTM: Na estação Ipiranga, saída da avenida do Estado, atravesse a avenida, siga pela rua José Chimenti até chegar à rua Xavier Curado. Siga até o final da rua e chegará ao Museu Paulista.

Observação: todas as últimas informações a respeito de dias e horários de visitação, preço do ingresso e sobre como chegar, estão disponíveis no site do museu.

Para mais informações, entre em contato com o museu:
Telefone: +55(11)2065-8000
Site: www.mp.usp.br


Margaridas do jardim do Museu Paulista (ou Museu do Ipiranga), em São Paulo - Por Tito Garcez
Margaridas do jardim do Museu Paulista

domingo, 18 de novembro de 2012

Parque dos Falcões: saiba como é a visita guiada e a interação com as aves

Águia-chilena (Buteo melanoleucus) no Parque dos Falcões, em Sergipe - Por Tito Garcez
Águia-chilena (Buteo melanoleucus) no Parque dos Falcões, em Sergipe - Setembro de 2012
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Após ter feito uma introdução (clique aqui para ver) sobre o Parque dos Falcões, um importante centro de conservação de aves de rapina em Sergipe, irei mostrar algumas das interessantes e curiosas aves que podem ser apreciadas e até tocadas pelos visitantes. 


Coruja-orelhuda (Asio clamator) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Coruja-orelhuda (Asio clamator)

Para chegar a esse parque, é imprescindível passar pela rodovia BR-235 e seguir em direção à cidade de Itabaiana. Para quem está vindo de Aracaju, Salvador e Maceió, a principal opção é acessar a 235 através da BR-101. Já na 235, o parque está localizado cerca de 9 km após a entrada da cidade de Areia Branca. Antigamente havia uma placa enorme que indicava a estradinha de terra que dá acesso ao local, mas hoje em dia a lona é inexistente, restando assim só a estrutura metálica. Logo, não há qualquer sinalização que indique o acesso. A via de entrada está no que parece ser um pequeno povoado à beira da rodovia, mais precisamente à direita dela, após uma via secundária de paralelepípedos. Tendo dúvidas, é aconselhável pedir informação. Após encontrar a estrada de terra, percorre-se por volta de 2,5 km até a entrada do Parque dos Falcões.


Harpia (Harpia harpyja) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Harpia (Harpia harpyja) 

Ainda falando sobre o acesso, vale a pena citar uma curiosidade que pode ser vista na estrada de terra, bem em frente a uma casa sem reboco. Ali foi construído um monumento em homenagem ao 'Urubu Branco', um urubu albino que, por ser raro, há alguns anos virou o xodó do parque. Contudo, após ter sido roubado por traficantes junto com outras aves, dias depois foi lamentavelmente encontrado morto.

Da estrada de terra já é possível ver a casa principal do parque tendo ao fundo a imponente Serra de Itabaiana
Da estrada de terra já é possível ver a casa principal do parque tendo ao fundo a imponente Serra de Itabaiana

Bom, ao chegar à entrada, logo após o portão, o visitante já dá de cara com a toca de algumas Corujas-buraqueiras (Athene cunicularia), que são praticamente as "cães de guarda" do lugar. Elas estão sempre atentas a tudo e podem sinalizar a presença de intrusos. Seguindo em direção à casa principal, o visitante já tem a oportunidade de passar por alguns viveiros e, no percurso, já avista muitas aves, sejam elas de rapina ou não. No lago localizado à esquerda, é possível ver muitos patos e gansos e, no decorrer do trajeto, é possível ver lindos pavões, guinés, galinhas e até coelhos. Enfim, tem de tudo.


Pavão fêmea (ou pavôa) e Guiné (ou Galinha-d'angola) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Pavão fêmea (ou pavôa) e Guiné (ou Galinha-d'angola)

Ao chegar à casa principal, o visitante acomoda-se na sala para assistir a um documentário de introdução ao  parque, que mostra um pouco do que poderá ser visto na visita guiada. Não espere um auditório e nem nada do tipo, pois todas as instalações do parque são simples. O visitante pode assistir sentado no sofá ou em cadeiras. O mais legal é que, dentro da sala, a pessoa já pode ter a oportunidade de interagir com duas corujas. Uma é muito pequena e fica numa espécie de "poleiro". A outra, uma das mais belas do parque, é uma Coruja-suindara (Tyto alba) que fica solta, voa e pula pelos móveis. Por muitos momentos, você acaba prestando mais atenção nela do que no próprio documentário.


José Percílio e um Gavião-carcará (Caracara plancus), no Parque dos Falcões, em Sergipe
José Percílio e um Gavião-carcará (Caracara plancus)

Após assistir ao vídeo, chega a hora de sair para conhecer melhor o parque e suas aves. Na varanda da casa, o guia, que é nada mais nada menos do que o fundador do parque, o José Percílio, faz uma demonstração que deixa claro para todos que ele possui conhecimento de técnicas de dominação das aves. Um Gavião-carcará (Caracara plancus) praticamente entra em sono profundo nos braços do tratador e não "acorda" nem quando vai parar nos braços de uma visitante. 


Visitantes acompanham a visita guiada no Parque dos Falcões, em Sergipe
Visitantes acompanham a visita guiada

Dando prosseguimento à visita, já fora da casa, é um Urubu-rei (Sarcoramphus papa) a primeira ave a ser avistada num viveiro. Percílio começa a falar um pouco sobre os animais, dando informações sobre os hábitos ou a forma como elas chegaram para receber cuidados no parque. Após o urubu, são vistos Gaviões-de-cauda-branca (Buteo albicaudatus), Gaviões-pretos (Buteo brachyurus) e Corujas-murucututu (Pulsatrix perspicillata). Essa última espécie está na lista dos animais ameaçados de extinção. Encontrá-las na natureza tem sido cada vez mais raro.


Gavião-preto (Buteo brachyurus) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Gavião-preto (Buteo brachyurus)

Na segunda parte da visita às aves expostas em viveiros, a primeira a ser vista é nada mais nada menos que uma imponente Harpia (Harpia harpyja), a maior ave de rapina das Américas e uma das maiores do mundo. Como muitos dos animais que chegam ao parque, essa foi levada após ter sido resgatada das mãos de traficantes de animais na Amazônia. A ave impressiona por seu tamanho e por sua força.  


Harpia (Harpia harpyja) demonstra o seu porte e força no Parque dos Falcões, em Sergipe
Harpia (Harpia harpyja) demonstra o seu porte e força

Depois da Harpia, podem ser vistos Gaviões-caboclos (Buteogallus meridionalis), mais Gaviões-pretos (Buteo brachyurus) e Águias-chilenas (Buteo melanoleucus), que apesar de terem esse nome, são muito comuns em grande parte do Brasil. Em seguida, o visitante chega à frente dos viveiros de muitos Carcarás, e um deles acaba por chamar a atenção, pois é o "cantinho" do Tito, o carcará fêmea que, como foi dito na postagem anterior, há mais de duas décadas é um companheiro inseparável do Percílio. 


Gavião-caboclo (Buteogallus meridionalis) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Gavião-caboclo (Buteogallus meridionalis)

Após a visita aos viveiros dos Gaviões-carcará, ainda é possível ver uma Seriema e outras duas espécies de corujas, sendo uma delas a Coruja-orelhuda (Asio clamator). No último viveiro, vive um animalzinho que é uma das alegrias do parque: um Tamanduá-mirim. Pois é, de fato não é uma ave, mas ele é tão especial que ganhou um espaço no parque e também na visita guiada. Por que digo isso?! Simplesmente porque é possível interagir com ele, colocá-lo no colo, nas costas. Ele adora ficar em cima das pessoas e, mais ainda, "procurar formigas" nos ouvidos delas. Os Tamanduás se alimentam principalmente de formigas e cupins, por isso eles possuem línguas enormes que ajudam na captura desses insetos. Então, ao que tudo indica, o tamanduazinho do parque deve associar nossas orelhas à formigueiros repletos de suculentas formigas. Bem, depois dessa, é melhor "virar a página"...      


Momento de interação de visitante com Tamanduá-mirim no Parque dos Falcões, em Sergipe
Visitante interage com Tamanduá-mirim

Na terceira parte da visualização dos viveiros das aves menores. É nesse momento que os falcões podem ser vistos. Os primeiros a serem visualizados são Falcões-quiriquiris (Falco sparverius), que surpreendem pelo porte digamos que diminuto. No viveiro ao lado, ficam os Falcões-de-coleira (Falco femoralis), esses sim de tamanho ligeiramente maior. Apesar da dimensão, essas são aves extremamente rápidas e ágeis. Ao lado delas, ficam as Corujas-caburé (Glaucidium brasilianum) e vizinhas estão as Corujas-do-mato (Otos choliba).


Corujas-do-mato (Otos choliba) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Corujas-do-mato (Otos choliba) 

Encerrada a visualização das aves nos viveiros, chega o momento principal, que é o de interação. Aos poucos elas vão chegando nas mãos de funcionários e voluntários do parque e cada visitante tem a oportunidade de tocá-las, acariciá-las, segurá-las e deixar que fiquem sobre suas mãos, ombro, cabeça, enfim, onde se desejar. Primeiro chegam as corujas, e depois os gaviões. Acredito que todas as aves liberadas para interação com os visitantes sejam treinadas e/ou já estejam extremamente acostumadas com as pessoas, pois, quando estão com você, elas agem com uma tranquilidade sem tamanho. São tranquilas mesmo em frente às câmeras. As pessoas mais corajosos têm, inclusive, a oportunidade de encarar um Carcará. Vai encarar?!  


Coruja-caburé (Glaucidium brasilianum) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Coruja-caburé (Glaucidium brasilianum) 

Como nem tudo são flores, é principalmente no momento de interação com as aves que o 'Psicopata' pode atacar. O que eu falo é verdade, mas não criemos pânico. Psicopata é o apelido dado por Percílio para um Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) que foi treinado para atacar intrusos do parque. Logo, de vez em quando ele costuma dar voos rasantes perto da cabeça de algumas pessoas e pode até pousar em algumas delas. Mas não há porque se apavorar, visto que é sempre bom que haja o fator tensão para que as coisas fiquem mais emocionantes.

Visitante interage com Gavião-carcará (Caracara plancus) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Visitante interage com Gavião-carcará (Caracara plancus)

Bom, a visitação costuma terminar após a interação com as aves. Sei que algumas vezes na semana o visitante tem a oportunidade de acompanhar o treinamento de alguns dos animais, contudo não sei precisar os dias e horários. Mesmo que não dê para presenciar o treino, uma visita "normal" ao parque é algo altamente recomendável. Visite e ajude a manter esse centro de conservação, pois grande parte do dinheiro conseguido para manter as aves vem da arrecadação dos ingressos. ;)


Coruja escura no parque dos falcões, em Sergipe
Coruja-diabo

Para conhecer o Parque dos Falcões, a visita precisa ser agendada. Passeios podem ser feitos todos os dias no turno da manhã ou tarde. Para agendar e ter mais informações, é só ligar para (+5579)-9962-5457 ou para (+5579)-9131-3496. O valor por pessoa é de R$ 20, e não há diferenciação para estudantes, idosos ou professores. Acesse também o site do parque: www.parquedosfalcoes.com.br


Corujas-murucututu (Pulsatrix perspicillata) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Corujas-murucututu (Pulsatrix perspicillata)