segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Praia de Santo Antônio: uma tranquila e desconhecida praia do Litoral Norte da Bahia


Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte Baiano
Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte da Bahia - Fotos tiradas por Tito Garcez em Junho de 2013
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O verão se aproxima e as praias do Nordeste começam a ficar mais cobiçadas, mas isso não é uma regra, acredite! Em todo o litoral nordestino é possível encontrar lindas praias pouco badaladas, sendo várias extremamente desconhecidas da mídia turística, das agências de viagens, enfim, da maior parte da população. No litoral da Bahia isso não seria uma exceção, e é lá que vamos conhecer uma das mais agradáveis praias do estado.


 Surfistas aproveitam os trechos que possuem ondas na Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte da Bahia - Por Tito Garcez
Surfistas aproveitam os trechos que possuem ondas

 Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte Baiano
Uma das poucas barracas de praia do lugar
Entre algumas das mais agitadas praias do Litoral Norte baiano, está a pacata praia de Santo Antônio. Localizada no município de Mata de São João, estando mais precisamente entre os renomados destinos Imbassaí e Costa de Sauípe - ambos detentores de alguns dos principais resorts do país - e não muito distante da praia do Forte, um dos locais mais conhecidos e visitados desse litoral, é de se estranhar que exista um local acessível e incrivelmente tranquilo.


Rio Imbassaí, na Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte Baiano
Rio Imbassaí

A praia de Santo Antônio fica ao lado do povoado que leva o mesmo nome. Por ali, é possível encontrar cerca de 30 casas, a maioria habitada por pescadores e artesãos. O local é de uma tranquilidade sem tamanho. Parte disso é justificado pelo acesso, que, apesar de não ser precário, é um tanto limitado. 


Cão solitário caminha pela praia


Como chegar


Para se chegar à praia é quase indispensável ter à disposição algum veículo que não seja de grande porte, e há duas opções, ambas em estrada de terra. É possível chegar tanto pelo povoado Santo Antônio quanto pela Vila do Diogo. Como o acesso pelo povoado é o que nos deixa  mais próximo à praia, explicarei como fazer para chegar lá: se vier tanto de Salvador como de Aracaju, é essencial transitar pela Linha Verde (Rodovia BA-099). 


Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte Baiano
Vista a partir das pedras que ficam próximas ao acesso à praia

A partir de Salvador, o acesso à estrada de terra que leva ao povoado Santo Antônio fica a uma distância aproximada de 72 km do Aeroporto Internacional. O acesso fica aproximadamente a 7,2 km após a entrada de Imbassaí e a 3,2 km após a primeira entrada para a vila do Diogo. Mas o melhor ponto de referência é a ponte do rio Imbassaí. Depois de cruzá-la, é só entrar no primeiro acesso à direita, mais ou menos a 900 m após a ponte. Até outubro de 2013 havia uma placa sinalizando o acesso ao povoado, mas como esse tipo de sinalização pode não durar muito tempo, é válido dar todos esses pontos de referência. 


Praia de Santo Antônio, no Litoral Norte Baiano
Tranquilidade define esse lugar 

Já para quem vem de Aracaju pela Linha Verde, o acesso à estrada de terra fica aproximadamente a 3 km após a entrada do Complexo Turístico Costa do Sauípe, e por volta de 77 km após a divisa de Sergipe com a Bahia. 




Depois de, finalmente, entrar na rústica estradinha de terra - que em alguns pontos é coberta por cascas de coco -, a distância até o povoado Santo Antônio é de 3 km. O acesso até pode assustar em razão da estreita estrada, onde em determinados pontos só passa um veículo por vez, e também porque ela corta uma área de dunas, mas, tendo atenção, as chances de acontecer algo são mínimas. Esse acesso, além de ser o mais próximo da praia, é o mais bonito, pois a estrada prossegue pela Área de Proteção Ambiental do Litoral Norte. 

(Atualizado em fevereiro de 2013: em recente visita à praia, foi constatado que a estrada de acesso foi melhorada. Apesar de continuar a ser uma estrada de terra, ela foi alargada e as cascas de coco deram lugar a uma terra mais consistente.)


Paisagem vista do caminho de acesso à praia  de Santo Antônio, no Litoral Norte da Bahia
Paisagem vista do caminho de acesso à praia


Finalmente, a praia


A primeira visão da Praia de Santo Antônio após sair do povoado
A primeira visão da praia após sair do povoado
Após explicar sobre o acesso, vamos finalmente conhecer a praia em si. Para acessá-la a partir do povoado Santo Antônio, onde os veículos devem ficar estacionados, é necessário caminhar por, aproximadamente, 100 metros através das dunas e dos coqueiros. Dali, o visitante já tem a possibilidade de ver, ao lado esquerdo, um extenso "mar de coqueiros". Em frente, é possível apreciar parte do que é, para mim, um dos melhores trechos para relaxar no Litoral Norte. 

Algumas das poucas mesas existentes no lugar


Em meio a apenas 5 barracas de praia, sendo todas rústicas, cobertas com palha, temos a oportunidade de desfrutar de um local pouco frequentado mas que, ao mesmo tempo, dispõe dessas opções de serviços gastronômicos, que podem ser uma mão na roda em determinados momentos. Quem curte frequentar uma praia tendo o mínimo de conforto, podendo sentar numa cadeira de plástico ou até deitar numa espreguiçadeira, não vai poder reclamar da praia de Santo Antônio, da mesma forma que, quem gosta de ter mais independência e ficar mais afastado das barracas, coisa que por lá não significa ter mais tranquilidade, já que todo o trecho é assim, também ficará satisfeito. 




A praia também é um tanto democrática do ponto de vista do tipo de banho. Ela agrada a "gregos e troianos" porque possibilita banho mais tranquilo, relaxante, para aqueles que optam por ficar na piscina natural formada entre as pedras mais à direita da praia, assim como agrada àqueles que curtem tomar banho com água mais agitada. Ela pode agradar, também, àqueles que gostam de surfar, bem como aos que desejam simplesmente pescar, e as pedras parecem ser ótimas para isso. 



Em frente ao principal grupo de pedras, é possível aproveitar um outro tipo de banho: o banho de rio. Isso porque um dos braços do rio Imbassaí deságua bem ali, vizinho à barraca Domingos do Diogo. Vale a pena caminhar um pouco pelo riacho para curtir a interessante tonalidade avermelhada da água. Para quem gosta de fotografar, é uma ótima pedida registrar o contraste da curiosa coloração escura da água do rio com a azulada do mar. 



Vale a pena contar uma curiosidade: a praia é tão tranquila, mas tão tranquila, que você pensa que está distante de algum ponto badalado. Contudo, quando estava revendo as fotos para colocar nessa publicação, descobri algo que nem de longe imaginava. Bem ao final da praia, na ponta esquerda,  é possível  ver alguns prédios que estão atrás dos coqueiros. E eles estão nada mais, nada menos, na Costa do Sauípe. Ou seja, em questão de poucos quilômetros você tem dois extremos - de um lado a agitação, a praticidade e o consumismo em um dos mais conhecidos complexos hoteleiros, e, do outro, a rusticidade e tranquilidade de um povoado de pescadores, que parece não ser se incomodar com o que existe não distante dali.




Apesar de ser perfeitamente possível sair de Salvador - ou de algum outro lugar na região - para passar o dia na praia, também é possível pernoitar por lá. É possível encontrar algumas pousadinhas bem simples no povoado. Nele, existe também um camping. Porém, todas essas informações só não podem ser tão animadoras para quem não dispõe de veículo próprio ou para aqueles que não têm como ir de carona com alguém, já que transporte público só existe na Linha Verde, ou seja, a 3 km do povoado, e não é todo mundo que tem disposição para caminhar tal distância debaixo de sol forte. Mas isso tem um lado bom, já que a dificuldade de acesso provavelmente é a salvação para a preservação da tranquilidade do lugar. 




Por fim, é importante dizer que, como não dá para prever até quando a praia (e o povoado) continuarão assim, tranquilos, e não sofrerão com a especulação imobiliária e com o turismo de massa, é super recomendável aproveitar para conhecer esse paraíso o quanto antes. Fica a dica! ;)



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

E não é que o blog recebeu um prêmio?!

Uma das novas logomarcas

Prestes a completar 1 ano de "vida", o blog tem me possibilitado cada vez mais surpresas e me dado mais orgulho. Exemplo disso é que, na semana passada, tive a grata surpresa de ser convidado para receber um prêmio. Nada melhor do que ter seu trabalho reconhecido inicialmente no seu estado de origem, e foi isso que ocorreu aqui em Sergipe.

O Brasil de Tito recebe prêmio na categoria Blog no troféu Jornalista Sílvia de Oliveira
O Brasil de Tito recebe prêmio na categoria Blog

Na noite desta quarta-feira, 25, no auditório do SENAC de Aracaju, O Brasil de Tito recebeu um dos prêmios do troféu Jornalista Sílvia Oliveira,  dado pelo Governo do Estado de Sergipe, através da Secretaria de Estado de Turismo (SETUR) e da Empresa Sergipana de Turismo (EMSETUR), principalmente às pessoas e instituições que são consideradas, pelo Estado, como parceiras no constante desenvolvimento turístico de Sergipe. Além da categoria "blogs", foram premiadas emissoras de televisão, jornais, empresas turísticas e personalidades que ajudam principalmente no planejamento e na divulgação do turismo daqui.


Da esquerda para a direita: Tito Garcez, Elber Batalha (Secretário de Estado do Turismo) e o jornalista Silvio Oliveira
Da esquerda para a direita: Tito Garcez, Elber Batalha (Secretário de Estado do Turismo) e o jornalista Silvio Oliveira 

Essa premiação faz parte da programação da Semana do Turismo, que, nesse ano, tem como tema  "Turismo e Água: Proteger o nosso futuro comum". É uma semana de eventos com foco principalmente nas palestras, isso em comemoração ao Dia Mundial do Turismo, que acontece na sexta-feira, 27. 

Em meio a representantes de algumas das mais influentes instituições do estado, estávamos eu e alguns outros blogueiros, que agora passam a ter seu trabalho reconhecido "oficialmente", afinal, hoje em dia, essa plataforma tem sido uma das mais procuradas e valorizadas, tanto por quem deseja como por quem decide viajar. Além da premiação e do lançamento da revista Curta Nordeste, foi mostrada uma apresentação contendo algumas fotos do estado de Sergipe tiradas por mim. Em breve a disponibilizarei nesta publicação.


Tito Garcez recebendo o prêmio das mãos do jornalista Silva Júnior  

Tenho que agradecer primeiramente aos responsáveis pela SETUR e pela EMSETUR pelo reconhecimento. E preciso deixar o meu muito obrigado também a algumas pessoas especiais. Muitos não sabem, mas para que esse blog surgisse, e para que as publicações sejam postadas, eu recebo a ajuda de uma equipe de peso: nomeadamente Déa, Tiago, Monique, Edilson e Cezar. Cada um teve (ou tem) um papel muito importante. 

Os contemplados com o troféu Jornalista Sílvia Oliveira 2013
Os contemplados com o troféu

Tiago foi um dos primeiros a me ajudar quando surgiu a ideia de montar um blog. Sem ele, o layout não estaria como está hoje. Ele é, portanto, o expert nas questões "técnicas" relativas ao blog. Déa, Monique e Edilson (sendo esses últimos respectivamente minha irmã e meu pai), me ajudam bastante na revisão do conteúdo, inclusive dando sugestões. Praticamente nada é publicado sem que passe pelos olhos atentos de, no mínimo, um deles. Por fim, Cezar é o responsável pelas novas logomarcas do site, que chegam em um ótimo momento, quando o blog vai fazer aniversário. 

Aproveito e deixo um pequeno "currículo" para caso queiram contatar  algum deles através do Facebook:

Tiago Costa - Formado em Ciência da Computação, reside em São Paulo
Andréa Eiko Ito - Formada em Letras, reside em Pindamonhangaba
Monique Garcez - Formada em Jornalismo, reside em Aracaju
Cezar Aes - Formado em Design Gráfico, reside em São Paulo

Enfim, muito obrigado a todos que me ajudaram e também aos que acompanham tudo o que é publicado aqui. Muitíssimo obrigado! ;)

Fotos de Tito Garcez expostas aos presentes no troféu Jornalista Sílvia Oliveira numa apresentação
Fotos de Tito Garcez expostas aos presentes numa apresentação

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Museu da Gente Sergipana: uma visita ao premiado museu mais interativo do Nordeste

Hoje ainda persiste um pensamento um tanto quanto generalizador de que museus são, normalmente, depósitos de objetos antigos, com plaquinhas informativas sobre o significado e a história do que é mostrado... Mas, pouco a pouco, essa visão tem mudado.

Foto noturna do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Fachada do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju (2013)
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No Brasil, há alguns anos, começou a se espalhar o novo (ao menos para os nossos padrões) conceito de museu interativo, contudo, quando se pensa em grandes museus com algum tipo de interatividade, são lembrados principalmente museus localizados na região Sudeste do país, sobretudo no estado de São Paulo. É nele que está um dos museus interativos mais conhecidos do país: o Museu da Língua Portuguesa, que, inaugurado em 2006, se consolidou como um dos mais visitados do país, recebendo milhões de visitantes. Na mesma região, mais especificamente em Minas Gerais, a zona da praça da Liberdade, em Belo Horizonte, tem se consolidado como o maior circuito museológico do país, sendo grande parte dos museus e memoriais quase completamente interativos. (Veja publicação sobre a praça da Liberdade clicando aqui.) 


Enfim, essa tendência de ter museus interativos não está presente só no Sudeste. Muitos desconhecem mas, no Nordeste, foi inaugurado há poucos anos aquele que tem figurado como um dos mais premiados museus brasileiros: o Museu da Gente Sergipana. Localizado em Aracaju, a capital do estado de Sergipe, ele tem o título de primeiro (e, por enquanto, único) museu interativo da região. Em menos de três anos de funcionamento, já recebeu diversos prêmios pela arquitetura, restauração e interatividade. Em 2012, foi o projeto vencedor do prêmio "O melhor da arquitetura 2012" na categoria Restauro. Esse prêmio é promovido pela Editora Abril, através da Revista Arquitetura e Construção. Já em 2013, ele está sendo considerado a "Atração do Ano" pelo Guia Brasil 2013 e figura na seleta listagem dos 29 melhores museus do Brasil, classificação feita pelo Guia Quatro Rodas.

Frente do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Fachada do museu  (2013)
Escadaria interna do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Escadaria do Museu da Gente Sergipana (2013)



Fachadas frontal e lateral (2013)
O museu está localizado no prédio do antigo colégio Atheneu Dom Pedro II, popularmente chamado de "Atheneuzinho", uma construção que data de 1926 e que passou por um cuidadoso trabalho de restauração, trabalho esse realizado pelo Governo do Estado de Sergipe, através do Banese (Banco do Estado de Sergipe) e é mantido pelo Instituto Banese. As obras foram iniciadas em 2008 e a inauguração ocorreu no final de 2011.



Abaixo, deixo um vídeo que explica um pouco da história do lugar e como se deu o processo de restauro:



Bom, já falei sobre a história, sobre a importância e sobre os prêmios, então chega a hora de saber o que tanto chama a atenção de quem visita o museu, e que é praticamente uma unanimidade:  o conhecimento da cultura popular sergipana. O melhor é que, como todo museu interativo que se preze, o visitante tem a oportunidade de conhecê-la através de telas, fones, jogos, sons, entre tantas outras coisas.

Tela sensível ao toque na Midiateca do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Tela sensível ao toque na Midiateca do museu (2011)

E afinal, o que poderá ser visto?!

O museu da Gente Sergipana é composto de foyer, átrio, auditório, loja de lembranças (loja da Gente), salas de exposições temporárias e diversos espaços destinados a exposições permanentes. O visitante tem a oportunidade de fazer uma visita guiada ou pode optar pela visitação espontânea, fazendo o seu próprio tempo ou roteiro.

Escadaria interna no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Escadaria do foyer (2011)

Optando pela visita guiada, costumam ser visitados, em ordem: o auditório, os espaços Nossas Feiras, Nossos Falares, Nossos Leitos, Nossos Pratos, Nossas Roças, Midiateca, Nossas Praças, Nossas Histórias, Nossos Cabras, Nossos Marcos, Nossas Festas, Nossas Coisinhas, Nossos Trajes, e, por fim, os "estúdios" de Cordel e Repente. É possível, também, que ao final (ou antes, se preferir) da visita guiada o visitante conheça as salas de exposições temporárias. Abaixo explico melhor cada um dos espaços:


Auditório
Auditório do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Auditório, durante a apresentação do vídeo (2011)

Após passar pela recepção, que fica na área externa do museu, local onde o visitante necessita fazer um cadastro, e ao dirigir-se ao foyer, há um direcionamento para que ingresse ao confortável auditório, para que se possa assistir a um belo vídeo introdutório à cultura sergipana. Nele, além de ver belas imagens de atrativos históricos ou naturais, bem como de manifestações folclóricas e festividades religiosas que acontecem no estado, temos a oportunidade de observar um pouco dos costumes locais. Tudo isso regado a muito colorido, alegria e a uma sonoridade capaz de arrepiar.


Nossas Feiras
Josevende no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Espaço Josevende (2011)

Esse espaço é o primeiro a ser visitado no segundo piso. Ele representa uma feira livre fictícia do interior do estado, onde o visitante tem a oportunidade de interagir com um feirante virtual, o Josevende, que oferece seus produtos e aproveita para conversar. Através de um microfone, o visitante é convidado a sair do papel de ouvinte, para ser também um interlocutor, interagindo com o "José" e conhecendo muitas expressões utilizadas no estado.



Nossos Falares

Após sair da feira fictícia, nas paredes do corredor externo que dá acesso a outras salas, o visitante se depara com inúmeras palavras e expressões tipicamente sergipanas. Algumas, por serem mais antigas ou por só serem utilizadas em determinadas comunidades, chegam a surpreender até a moradores do estado. Algumas das expressões que podem ser conhecidas são "a pusso" e "ximar", que significam respectivamente, forçado (ex.: Ele comeu a pusso) e pedir insistentemente (ex.: O cachorro está ximando a comida). A partir desse espaço é possível ver, no centro do átrio, um mapa que representa todas as regiões do estado e, acima dele, existe um enorme "jereré", rede utilizada para a pesca de crustáceos. Nela, "foram pescados" diversos elementos da cultura sergipana. Vale a pena observá-los!

Nossos Falares, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Expressões presentes no espaço Nossos Falares (2013)


Nossos Leitos
Túnel do espaço Nossos Leitos, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Barquinho no túnel do Nossos Leitos (2011)

Esse é um dos espaços que mais chamam a atenção dos visitantes, sobretudo das crianças. Logo na entrada, existe um painel que conta um pouco sobre a fauna existente no estado. Após uma breve explicação, explanação essa que é acompanhada do som característico de algumas aves, o qual vem da principal área desse espaço, o visitante é convidado a entrar em um túnel, a sentar em um pequeno barquinho, e a "navegar", vagarosamente, nas imagens de ambientes naturais sergipanos que são mostradas por quase 180º. Os barquinhos comportam até 4 pessoas, as quais têm a oportunidade de passar alguns minutos apreciando a vegetação e os animais existentes em diferentes pontos do estado de Sergipe.


Visitantes conhecem o túnel do Nossos Leitos, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Visitantes conhecem o túnel do Nossos Leitos (2011)

Nossos Pratos 

Jogo no espaço Nossos Pratos, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Joguinho em tela sensível ao toque no espaço Nossas Roças (2013)
Ao final do passeio de barco, chega o momento de falar de comida. Em uma mesa existente no meio da sala, o visitante tem a oportunidade de, com as mãos, simular que está levando ingredientes para o centro da mesa, com o intuito de tentar descobrir como preparar pratos típicos sergipanos. Quando todos os ingredientes são descobertos, aparece uma breve explicação sobre determinado prato.


Nossas Roças

Ainda na mesma sala, existe outro joguinho, dessa vez simulando o cultivo de itens básicos para a alimentação, bem como a criação de animais que produzam insumos  para o consumo humano. Esse é outro atrativo que costuma fazer a alegria das crianças.

 
Telas da Midiateca do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Telas disponíveis para uso dos visitantes na Midiateca (2013)

Midiateca

A Midiateca está estrategicamente posicionada praticamente no meio das salas abertas à visitação, fazendo com que seja também um ambiente para descanso. No centro desse espaço, uma enorme mesa repleta de fones de ouvido e telas sensíveis ao toque, possibilita que a pessoa conheça um pouco mais das manifestações folclóricas, das festas populares e dos marcos arquitetônicos. Também dessa sala, é possível apreciar, mesmo que por trás dos vidros das portas, a bela vista para o rio Sergipe e para a Barra dos Coqueiros, localizada na outra margem.  



Vista para a Barra dos Coqueiros a partir da Midiateca do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Vista para a Barra dos Coqueiros e para o rio Sergipe a partir da Midiateca (2013)


Carrossel do Nossas Praças, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Carrossel do espaço Nossas Praças (2013)
Nossas Praças

Esse espaço costuma trazer um sentimento de saudosismo aos mais velhos, e de curiosidade, expectativa e por fim, uma pitada de decepção nas crianças. Explico: no centro dessa sala existe um simpático carrossel, ou a simulação do que seria um. Quando você entra e ele está parado, a visão é de um carrossel cercado por uma praça que é vista na parede. No momento em que ele é manualmente girado, uma simpática música ecoa pela sala, e a imagem começa a girar seguindo a rotação do "brinquedo". A partir disso, tudo fica mais animado, e o visitante tem a possibilidade de passear por algumas das principais praças do estado, como a de São Francisco, em São Cristóvão, a da Matriz, em Laranjeiras, e a Fausto Cardoso, em Aracaju.

Bom, agora tenho que explicar o porquê da possível decepção que crianças podem sentir: apesar de possuir cavalinhos de madeira e de girar, não se pode subir. Sendo assim, os pequeninos têm que se contentar em olhar, ouvir e, no máximo, em tocar - o que já é muito bom!


Objetos de costura expostos no espaço Nossas Histórias, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Objetos de costura (esquerda) e pesca (direita)
expostos no espaço Nossas Histórias (2013)
Objetos utilizados para pesca expostos no espaço Nossas Histórias, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe




Artesanato de barro exposto no espaço Nossas Histórias, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Artesanato de barro no espaço Nossas Histórias (2013)

Nossas Histórias


Esse espaço é praticamente um labirinto de espelhos, onde, ao andar pelo ambiente, inesperadamente a iluminação dos espaços expositivos é acesa e a pessoa tem a oportunidade de ver itens do artesanato local, bem como indumentárias típicas, entre outras coisas. Além de ver, é possível ouvir gravações com explicações a respeito do que é mostrado.



Nossos Cabras

Em três telas são mostradas personalidades sergipanas (ou que tenham alguma relação com o estado). Com o uso de fones de ouvido, é possível conhecer, por exemplo, um pouco mais da história do artista plástico Arthur Bispo do Rosário, do filósofo, poeta e jurista Tobias Barreto, e também do cangaceiro Lampião, que, apesar de não ser sergipano, rondou o território do estado por muitos anos e inclusive foi morto em terras sergipanas.

Personalidades que podem ser vistas no espaço Nossos Cabras, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Personalidades que podem ser conhecidas no espaço Nossos Cabras (2011)


Nossos Marcos
Espaço Nossos Marcos, do pião, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Espaço Nossos Marcos (2013)

Em uma espécie de mesa, o visitante tem a oportunidade de girar um pião, e o local onde ele parará definirá qual marco arquitetônico do estado será mostrado. É possível visualizar algumas das mais importantes igrejas, bem como alguns palácios.




Nossas Festas

Esse espaço é um dos mais divertidos. O visitante mais velho tem a oportunidade de reviver a infância com uma brincadeira que já foi muito popular: a amarelinha. É possível lançar um cubo no desenho e, escolhida a manifestação ou festa popular que deverá ser conhecida, e também ao jogar direitinho e concluir o desafio, a amarelinha dá lugar a um vídeo animado e a um som contagiante.


Amarelinha que pode ser usada por visitantes no Nossas Festas, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Amarelinha do espaço Nossas Festas (2011)



Jogo de Memória do espaço Nossas Coisinhas, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Jogo de Memória do espaço Nossas Coisinhas (2011)
Nossas Coisinhas

A princípio, a pessoa acha que é uma enorme parede cheia de cubos repletos de pequenos objetos. Mas, ao se aproximar, é possível notar que tudo aquilo é, na verdade, um enorme jogo de memória. Nos recipientes do jogo são mostrados os mais diferentes objetos representativos da cultura local.


Nossos Trajes

Já no finalzinho da visita ao segundo piso, um enorme espelho é percebido. Aparentemente, ele seria só um espelho qualquer mas, quando alguém se posiciona em determinado ponto, é possível visualizar a pessoa supostamente vestida em trajes nada convencionais. Esses trajes são, na verdade, vestimentas utilizadas por "brincantes" das mais variadas manifestações folclóricas do estado.

Espelho do Nossos Trajes, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Espelho do espaço Nossos Trajes (2013)

"Estúdios" de Cordel e Repente

Em frente ao espelho do espaço "Nossos Trajes", estão localizados dois espaços que, pela semelhança, chamarei de estúdios. No primeiro, decorado por dezenas de coloridos livretinhos de Cordel, o visitante tem a oportunidade de, em frente a uma tela e a um microfone, "declamar" o que aparecerá para ser lido. Ao final, é possível assistir a um vídeo de como foi a declamação e, se a pessoa desejar, é possível que a gravação vá direto para o canal do museu no Youtube. Quem não desejar se ver no Youtube, é só recusar o envio, sem maiores complicações.

O outro estúdio é dedicado ao Repente. O visitante tem a oportunidade de escutar parte de um Repente, falado por alguns dos mais tradicionais repentistas do estado e, no momento certo, continuar e fazer a sua improvisação. Esse espaço tem basicamente a mesma funcionalidade do outro, ou seja, tudo será gravado e fica a critério da pessoa publicar ou não na internet.

Estúdio de Cordel no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Estúdio de Cordel (2011)
Livretos da Literatura de Cordel, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Livretos da Literatura de Cordel (2013)





















Exposições Temporárias

Ao fim da visita guiada (ou antes mesmo de ela ser iniciada), voltando ao foyer, no primeiro piso, é possível visitar os espaços de exposições temporárias. Normalmente, no próprio foyer, ao lado da loja de lembranças, é possível já começar a ver alguma exposição, a exemplo das fotográficas.

Maquete do prédio que abriga o Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Maquete do prédio que abriga o Museu da Gente Sergipana (2013)
No final de setembro de 2013, será lançada uma exposição em homenagem a Zé Peixe, um antigo prático (que é o profissional responsável por guiar navios até que se distanciem da costa ou de áreas de risco de encalhe) que virou uma importante personalidade sergipana, pois, mesmo com seus tantos anos de vida, saltava das enormes embarcações e voltava nadando para sua casa, localizada às margens do rio Sergipe. E já podem ser vistas as exposições "Do Colégio Atheneu Pedro II ao Museu da Gente Sergipana: O Sentido da Educação e a Poética do Espaço", que conta, em imagens, textos e objetos, um pouco da história do colégio e do museu, e também "Arte em Ciência", que mostra, de forma interativa, como encontrar soluções ecologicamente sustentáveis para auxiliar a vida das pessoas.


Café da Gente e Instituto Banese

Em um prédio construído anexo ao do museu, funciona a sede do Instituto Banese e, também, o Café da Gente, que é o ambiente gastronômico mais próximo para aqueles que necessitam almoçar ou apenas fazer um lanche. O espaço é de fato bem aconchegante. O café funciona em horário independente do museu, normalmente das 10:00 às 20:00. Para mais informações, ligar para +55 (79) 3246-3186.

Miniaturas existentes no Jogo de Memória do espaço Nossas Coisinhas, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Miniaturas do Jogo de Memória do espaço Nossas Coisinhas (2013)



Dias, horários de funcionamento, dicas e outras informações sobre o museu


O grande Jereré no átrio do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
O grande Jereré no átrio do museu (2011)
O Museu da Gente Sergipana funciona, sempre gratuitamente, de terça a sexta das 10h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados das 10h às 16h. Excepcionalmente em determinadas datas, sejam elas comemorativas ou em razão de apresentações de grupos folclóricos, orquestras e bandas, que fazem parte das ações educativas do museu, é possível que fora do horário de visitação haja acesso a espaços como o auditório, o foyer e o átrio. 

Fotografias costumam ser permitidas em todos os ambientes do segundo piso, com exceção do espaço Nossos Leitos, e do primeiro piso, com exceção do auditório.


Dica nº 1: Quase semanalmente grupos folclóricos se apresentam no lugar, normalmente às sextas-feiras, ou quando cortejos folclóricos saem de algum outro ponto do Centro da cidade com destino ao museu.


Dica nº 2: Ao chegar no estacionamento, não deixe de observar os painéis existentes no muro. São todos fruto do trabalho de artistas sergipanos. A arte já pode começar a ser vista ali.

Para ver a página do museu da Gente Sergipana no Facebook, clique aqui. Para mais informações e também para agendar visita de grupos, ligar para +55 (79) 3218-1551 ou acessar o site do museu.

Painéis pintados por artistas sergipanos expostos no estacionamento do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju - Sergipe
Painéis pintados por artistas plásticos sergipanos expostos no estacionamento do museu (2013)

Como chegar

Chegar ao Museu da Gente Sergipana é super fácil. Localizado na região central de Aracaju, mais especificamente na avenida Ivo do Prado, 398, também conhecida como "rua da Frente", que é popularmente chamada assim por estar em frente ao rio Sergipe, por onde a cidade começou a crescer - existe um amplo e gratuito estacionamento para quem tenha algum veículo à disposição. Para quem optar por chegar de ônibus, existem diversas linhas que passam nos dois sentidos da avenida. Eis:

Saindo da Avenida Santos Dumont, na Atalaia (região hoteleira de Aracaju), e seguindo sentido Centro (ao norte):

  • Circular Cidade 01 - 5001
  • Santa Tereza/Bairro Industrial - 008

Saindo do terminal de integração da Zona Sul, na Atalaia:

  • Mosqueiro/Centro - 717
  • Circular Cidade 01 - 5001
  • Fernando Collor/Atalaia - 007


Outras linhas que passam em frente ao museu a partir de diferentes pontos da cidade:


Augusto Franco/Bugio - 001 / João Alves/Orlando Dantas - 003 / Augusto Franco/Beira Mar - 702 / Maracaju/D.I.A. - 005 / Circular Indústria e Comércio 01 - 200 CIC1 / Circular Indústria e Comércio 02 - 200 CIC2 / Circular Hermes Fontes/Beira Mar 01 - 400CHB1 / Circular Cidade 02 - 500CC2

Em primeiro plano, o Jereré existente no átrio do museu e, em segundo
plano, uma "brincante" de um grupo folclórico (2013)


Decidir conhecer o museu da Gente Sergipana é ter a certeza de ter algumas horas de total distração em meio a uma interatividade até pouco tempo inexistente na região Nordeste em equipamentos culturais do tipo. Enfim, visite o quanto antes! Vale a pena! ;) 


Veja a apresentação contendo essas fotos e outras mais, com uma trilha sonora regional.