segunda-feira, 2 de junho de 2014

Encantos de Santarém: encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, com direito a Botos-tucuxi e Vitórias-régias

No Oeste do estado do Pará, na região do chamado baixo Amazonas, está um local popularmente conhecido como "Pérola do Tapajós": a cidade de Santarém. Esse é um dos lugares mais importantes do estado no que diz respeito à economia e, também, às belezas naturais e ao ecoturismo, já que estamos falando de um dos principais destinos visitados por aqueles que desejam visitar a Amazônia e ter um maior contato com a selva e com aqueles que nela vivem. Desta vez, o passeio não será em plena mata, mas em lugares encantadores que podem ser vistos em frente à cidade. Vamos conhecê-los!

Aproveite e acompanhe outras postagens sobre a Amazônia, conferindo relatos e muitas fotos de lindos lugares localizados nos estados do Pará e do Amapá (clique nos nomes para acessar).

Encontro dos rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará - Por Tito Garcez em 2014

    Encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará 
Banhada pelo importante rio Tapajós, águas de outro rio também passam bem em frente ao Centro da cidade, e esse é ainda mais importante: estou falando do monumental rio Amazonas. O mais incrível é que ele não apenas passa por lá, mas acaba por confluir-se com o Tapajós, que nada mais é do que um dos muitos afluentes desse que é o maior rio do mundo. Por falar no Amazonas, ele também foi retratado em outra publicação, que aborda, também, a maior fortificação da América Latina, a Fortaleza de São José de Macapá, localizada na capital do Amapá. Não deixe de conferir clicando aqui!

Vitória-régia em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vitória-régia em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará

Garça-branca-grande (Ardea alba) no Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Garça-branca-grande (Ardea alba) no Mirante do Tapajós, em Santarém
Espetáculos naturais de encontro de águas de rios com tonalidade diferente, são um tanto comuns na Amazônia, e o mais conhecido é a confluência entre os rios Negro e Solimões, no estado do Amazonas. Contudo, o encontro que é considerado como o mais visível, que pode ser observado das mais diferentes perspectivas, é mesmo o que pode ser visto em Santarém. Praticamente a partir de toda a orla da cidade é possível apreciá-lo. Mas, no Centro, o melhor local para ver o encontro dos gigantes de águas verde-azuladas (Tapajós) e barrentas (Amazonas), aparentemente é o Mirante do Tapajós, que, a partir da orla, pode ser acessado através de uma escadaria.

Visão aérea do rio Amazonas, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vista aérea do rio Amazonas, em Santarém, no Pará

Vista aérea do encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
Vista aérea do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
O encontro pode ser observado, também, "das nuvens", afinal durante os procedimentos de pouso ou decolagem no aeroporto Maestro Wilson Fonseca, a depender do lado da aeronave onde se esteja (a dica é ficar na esquerda em voos que saíam de Belém), podemos ter uma vista mais ampla, que dá uma ideia da dimensão dos rios e nos faz perceber um fato curioso: por centenas de metros ou por alguns quilômetros, mesmo estando lado a lado, as águas dos rios não se misturam. Isso pode ser explicado pelo fato de que ambas possuem diferentes temperatura, velocidade da correnteza e sedimentação.

Visão aérea do encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
Visão aérea do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém

Vista do encontro dos rios Amazonas e Tapajós, desde o Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vista do encontro dos rios Amazonas e Tapajós, desde o Mirante do Tapajós
Apesar do encontro poder ser visto de forma mais ampla a partir de diversos locais, os turistas geralmente preferem vê-lo bem de perto. Para tanto, pode ser contratado um passeio em pequenas lanchas que comportam em média 8 pessoas e que saem do chamado Terminal Turístico, que inclusive fica bem próximo à escadaria de acesso ao Mirante do Tapajós. No terminal, existe também um posto de informações turísticas e algumas banquinhas que vendem artesanato local.  O valor do passeio gira em torno de R$ 50,00 por pessoa. Ah! Não se deve esquecer de levar água - que não é vendida no terminal, mas lá pode ser encontrado um bebedouro - e protetor solar, pois essa região é quente. Aliás, quente não, muito quente! E isso quem diz é alguém acostumado a viver em Aracaju, um lugar conhecido como quente, mas com clima que não se compara ao que pode ser sentido no Oeste do Pará.

Encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará


O passeio

Após embarcar na lancha no Terminal Turístico, começamos a navegar através do Tapajós e observar a grande movimentação de embarcações, sendo poucas com turistas. A maior parte transporta moradores de comunidades, vilas e cidades próximas, geralmente através de barcos menores. Já as maiores, que podem comportar centenas de pessoas, normalmente vem e vão do estado do Amazonas, do Amapá ou até mesmo de outras cidades do Pará, com destaque para a capital, Belém, que costuma ser acessada principalmente através do transporte fluvial (que dura de 2 a 3 dias) ou do aéreo (de 1 a 2 horas, a depender da aeronave e em voo direto). Por via terrestre, em razão das estradas não serem das melhores e, também, por conta da distância, poucos são os que se arriscam a viajar mais de 1.300 Km, em uma viagem que, feita sem parada, pode durar quase 24h. Para se ter uma ideia, essa distância é superior à que separa a cidade de São Paulo de Brasília ou de Porto Alegre.

Barcos navegam através dos rios Amazonas e Tapajós em frente a Santarém, no Pará, na Amazônia
Embarcações navegam através dos rios Amazonas e Tapajós em frente a Santarém, no Pará

Prosseguindo com o passeio, ao sair do terminal, geralmente a embarcação segue em direção a uma ilha ou ao encontro dos rios. Contudo, se for negociado antes da saída, a dica é pedir ao condutor para fazer uma breve parada em frente ao Mercado do Peixe, que fica em plena orla de Santarém. O motivo da parada é especial: é lá que Botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) podem ser vistos facilmente, sobretudo na época de cheia. Mas isso é assunto para outra postagem que será publicada em breve.

Casa localizada em ilha que separa os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Casa localizada em ilha que separa os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará

   Mergulhão ou Biguá (Phalacrocorax brasilianus) no rio Tapajós, em frente a Santarém, no Pará, na Amazônia
Mergulhão ou Biguá  no rio Tapajós, em frente a Santarém, no Pará
Quanto mais nos distanciamos da orla de Santarém, mais nos aproximamos do modo de vida tranquilo dos ribeirinhos. Na margem esquerda do Tapajós, começamos a ver algumas pequenas casas que só são acessadas através de pequenas embarcações. Vemos, também, a vegetação abaixo da água, que no período das cheias - que acontece no chamado inverno amazônico, faz o nível dos rios subir e alaga áreas imensas. No horizonte, a única coisa que pode tirar um pouco da tranquilidade de lugares assim, pode ser a passagem de grandes embarcações, principalmente das que transportam cargas, e que nem sempre param no porto de Santarém.

Pato-do-mato (Cairina moschata) em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará, na Amazônia
Pato-do-mato (Cairina moschata) em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará

















Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará, na Amazônia    
Trinta-réis-grande em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará
Adentrado a área alagada localizada na ilha, o barquinho necessita ir mais devagar, pois boiam por todos os lados pedaços de troncos. E não podemos esquecer que podemos estar passando acima de alguma árvore ou arbusto submerso, então, todo cuidado é pouco. Na flora, envolta de água, vemos facilmente diferentes espécies de aves que buscam em lugares assim, tranquilos, longe da correnteza, um bom local para procurar alimentos. Exemplares de Garça-branca-grande (Ardea alba), Mergulhão - ou Biguá - (Phalacrocorax brasilianus), Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) e Pato-do-mato (Cairina moschata) são algumas das espécies que costumam ser vistas facilmente.

Barco e Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará, na Amazônia
Barco e Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará

Após navegar um pouco pela área de águas tranquilas, não demora muito para começarmos a ver um dos ícones da Amazônia: a Vitória-régia, cientificamente conhecida como Victoria amazonica. O tamanho das folhas de fato impressiona, e olha que as que foram vistas não eram das maiores, afinal, o diâmetro máximo pode passar de 2 metros. A estrutura da planta não é muito conhecida pelas pessoas, que geralmente associam as enormes folhas como sendo uma planta cada uma. Na verdade, existe um rizoma - ou caule - que enterrado na terra, possibilita que longas e espinhentas hastes sustentem as folhas, que na face inferior também possuem espinhos para afugentar grandes peixes. Curioso como sou, fiz questão de tocar nas folhas e em seus espinhos, sendo assim, pude notar que apesar de assustarem pelo tamanho, os mesmos não eram dos mais pontiagudos (por sorte!).
   Vitórias-régias (Victoria amazonica) vistas em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vitórias-régias vistas em área alagada de ilha localiza em Santarém

Além dos espinhos presentes na face inferior das folhas, foi interessante notar a rede de "nervuras" e de compartimentos de ar que ajudam a dar resistência e fazem com que elas flutuem. Tal aparato pode ser suficiente para fazer com que uma grande folha suporte até 40 quilos, ou seja, facilmente uma criança poderia ser mantida em cima de alguma. É interessante citar que, na região Norte, a Vitória-régia é curiosamente citada em uma conhecida lenda.

Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará

Costuma-se dizer que uma índia, chamada Naiá, acreditando na lenda de que a Lua - que era considerada um deus chamado Jaci - ao desaparecer do céu, levava moças virgens e as transformava em estrelas; ao se aproximar de um igarapé em determinada noite e se deparar com o reflexo luminoso da Lua Cheia na água, teria se atirado na imagem refletida para tocar no seu deus, pois ela acreditava que ele a estava chamando, mas terminou por morrer afogada. Os integrantes da tribo passaram então a acreditar que Jaci transformou a jovem índia na flor da Vitória-régia, pois a mesma abre sempre à noite, inicialmente com a cor branca - na segunda noite de abertura ela aparece rosa - e muito perfumada.

Barco e tronco no encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Barco e tronco no encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará

Após encontrar as Vitórias-régias, prosseguimos com a navegação, saindo no outro lado da ilha. Deixamos para trás as águas tranquilas da área alagada, para entrar diretamente na correnteza do rio Amazonas. E não demora muito para começarmos a ver outros ilustres habitantes da Amazônia, e que nos fazem companhia no passeio: os Botos-tucuxi. Da mesma família dos Botos-cinza, a principal diferença é que os Tucuxis vivem apenas nas águas doces da região amazônica, diferentemente dos Cinzas, que são encontrados principalmente no litoral brasileiro. Eles podem ser vistos facilmente quando estão caçando, e isso é um enorme indicativo para os pescadores, pois os mesmos podem saber onde encontrar cardumes de peixes. 

Boto-tucuxi, aves trinta-réis-grandes e o encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Boto-tucuxi, aves trinta-réis-grandes e o encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará

Encontro dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
Pouco depois do começo do aparecimento dos botos, já estávamos no área do tão esperado encontro dos rios Amazonas e Tapajós, e a verdade é que não sabíamos para onde olhar. Ora apreciávamos a diferença de tonalidade que se descortinava à nossa frente, ora observávamos os botos e tentávamos adivinhar onde voltariam a submergir ou ora olhávamos para o horizonte, para ver um pouco mais da cidade de Santarém. E assim chegava ao fim uma agradável manhã de passeios, que possibilitou o encontro com três dos principais ícones amazônicos, sendo eles os botos, as Vitórias-régias e o monumental rio Amazonas, sem esquecer, é claro, do bônus que foi poder ver esse famoso rio sendo "abraçado" pelo Tapajós, tão importante para essa região do Pará. Lembranças para jamais esquecer! ;)

Vista de Santarém, de boto-tucuxi e do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, no Pará, na Amazônia
Vista de Santarém, de boto-tucuxi e do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, no Pará

Barco e vista dos rios Amazonas e Tapajós, a partir do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Barco e vista dos rios Amazonas e Tapajós, a partir do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará

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terça-feira, 13 de maio de 2014

Lagoa Redonda: um paraíso localizado em Pirambu, no Litoral Norte de Sergipe

De modo geral, quando se pensa em Sergipe, geralmente associa-se ao litoral, ao turismo de sol e praia - assim como os outros estados da costa leste do Nordeste - mas, em se tratando do menor estado brasileiro, que possui um território que pode ser conhecido em pouco tempo, existe um trecho pouco explorado: o Litoral Norte. Esse pedacinho do estado guarda alguns locais bem preservados, que, felizmente, não sofreram com o avanço do turismo de massa. Um desses lugares é a Lagoa Redonda, que mesmo sendo um tanto conhecida regionalmente pelo nome, na prática ainda não foi muito visitada inclusive pelos próprios sergipanos. Sendo assim, vamos conhecê-la melhor!

Dunas e riacho da Lagoa Redonda, em Pirambu,  Litoral Norte de Sergipe - Por Tito Garcez em 2014

Saindo de Aracaju, com tempo de viagem estimado de uma hora, é possível chegar a um dos recantos menos explorados do estado. No local onde os veículos ficam estacionados, ao final da estrada que corta o povoado Lagoa Redonda, no município de Pirambu, o visitante ainda não consegue ter uma ideia do que lhe aguarda pouco tempos depois. Na verdade, a visão inicial até pode desanimar, pois vê-se instantaneamente  um pequeno riacho e algumas barracas/bares bem simples.

Riacho da Lagoa Redonda e dunas, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Sergipe
Riacho da Lagoa Redonda e dunas, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, no Litoral Norte de Sergipe

Para chegar ao trecho considerado principal, na área onde são tiradas as fotografias de "cartões-postais", é necessário tirar sandálias ou sapatos e seguir o riacho à pé no sentido oposto ao da correnteza. E não há o que temer, pois a profundidade varia muito pouco. Faça chuva ou faça sol, ele permanece sempre raso, dificilmente passando dos joelhos. Após percorrer um trecho de aproximadamente 200 metros, a dica é subir logo na primeira duna que está logo à direita, na margem oposta a onde foram instaladas traves para um campinho de futebol.

Riacho da Lagoa Redonda e duna, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Sergipe
Riacho da Lagoa Redonda e duna, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu - Sergipe

Apesar de as dunas nessa área não serem das mais altas, recomenda-se não enfrentá-las nos horários mais quentes - ou seja, no final da manhã e no início da tarde, pois além da areia fofa estar com temperatura mais alta, o esforço, aliado ao calor, podem ser um incentivo à desidratação e/ou ao cansaço excessivo. Os melhores horários são no começo da manhã e principalmente ao final da tarde, que pode ser aproveitado também para admirar o pôr do sol.

Dunas, mar, coqueiros e vegetação próximos à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Sergipe
Dunas e vegetação próximos à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, no Litoral Norte de Sergipe

Ao iniciar a subida nas dunas, vamos nos afastando do riacho e caminhando em direção ao mar. Contudo, quando finalmente (e felizmente) terminamos de subir, a paisagem que se descortina à nossa frente é simplesmente belíssima, e, talvez, inesperada, pois percebemos que o mar não está assim tão próximo, já que para chegar até a praia, é necessário andar aparentemente aproximadamente um quilômetro. Mas esse fato não chega a ser importante quando observamos com calma a paisagem que pode ser admirada. Após as dunas, podemos ver uma área quase intocada, que inclusive já faz parte da Reserva Biológica (REBIO) de Santa Isabel, criada em 1998. A reserva abrange área dos municípios de Pirambu e Pacatuba por cerca de 45 quilômetros de praias, ou seja, ela acaba por proteger parte considerável do Litoral Norte de Sergipe.

Foz do riacho da Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Sergipe
Foz do riacho da Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu - Sergipe

A partir da duna, podemos observar uma paisagem típica dessa região do estado. Vemos coqueiros, dunas, lagoas, e, obviamente, o mar. Enfim, é um cenário paradisíaco e que rende ótimas fotos. Mas ainda falta conhecer a tão esperada Lagoa Redonda, que é considerada o ponto principal. Para tanto, devemos seguir à esquerda pelas dunas mesmo e, ao contornar a vegetação que está no alto de um morrinho na própria duna, é necessário caminhar no sentido oposto à praia. Antes, vale a pena subir nessa parte mais alta da duna que possui vegetação e curtir um pouco mais da vista que ela proporciona. Tendo atenção, é possível ver, inclusive, o Porto de Sergipe que está a algumas dezenas de quilômetros dali.

Dunas, coqueiral e lagoas próximo à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Sergipe
Dunas, coqueiral e lagoas próximo à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu - Sergipe

Voltando a caminhar na duna, em questão de pouco tempo começamos a ver, de cima dela, aquele mesmo riacho, em um trecho em que ele possui formato de meia lua. E é esse trecho que é, na verdade, chamado de Lagoa Redonda. Muitas pessoas pensam que, pelo nome, vão encontrar uma verdadeira lagoa, e redonda, é claro, mas o local que recebe esse nome é o estreito e raso riacho que, se não fosse o entorno, passaria despercebido. O destaque fica para o "conjunto da obra", que engloba o riacho, as dunas que derramam areia sobre ele e a vegetação verde que está na outra margem. O cenário possui um belo contraste, com o verde de um lado e, do outro, uma paisagem que lembra áreas desérticas.

Riacho da Lagoa Redonda e dunas, em Pirambu,  Litoral Norte de Sergipe

Apesar de o nome não fazer jus à paisagem, o lugar é de uma beleza sem igual e altamente fotogênico. E por falar em foto, nas fotografias que costumamos ver em cartões-postais e nas - poucas - imagens de divulgação do lugar, o ponto escolhido para fazer o registro é costumeiramente na outra "ponta" da meia lua, em um ângulo onde é possível ver, inclusive, a foz do riacho - a uma certa distância, é bem verdade. Em razão da pouca profundidade desse trecho da "lagoa", o mesmo não costuma ser tão utilizada para longos banhos. No entanto, ele pode se tornar relaxante para aqueles que desejem aventurar-se a deslizar duna abaixo no melhor estilo "skibunda".

Dunas e riacho da Lagoa Redonda, em Pirambu,  Litoral Norte de Sergipe
Dunas e riacho da Lagoa Redonda, em Pirambu,  no Litoral Norte de Sergipe












A visita à Lagoa Redonda serve mais para contemplação do que para qualquer outra coisa. Para quem busca um local tranquilo, pouco visitado e com belas paisagens, o paraíso está "logo ali". Mas como nem tudo são flores... Para quem quer tranquilidade mesmo, é recomendável fazer a visita em dias úteis, pois em finais de semana e feriados há chances do local ter um pouco mais de movimento - e ruído de som de carro - principalmente no entorno da orlinha (que é como é chamado o trecho do estacionamento, onde estão as barracas). Indo fora dos tradicionais dias de folga, são grandes as chances de poder curtir o lugar sendo um dos únicos e sortudos contempladores, digo, visitantes.

Foz do riacho da Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Sergipe
Foz do riacho da Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu - Sergipe


Como chegar 

Os principais acessos a esse trecho do Litoral Norte se dão a partir de Aracaju e também da BR-101, passando pelo município de Japaratuba. De Aracaju, pode-se chegar tanto de ônibus como de carro, mas é muito mais fácil, rápido e agradável ir de carro. Optando pela última opção, pode-se parar no caminho, fazer uma visita à sede do município de Pirambu que abriga a base pioneira do Projeto Tamar no Brasil (já adianto que é simples, mas vale a visita) ou até seguir por uma estradinha de terra cercada por enormes torres de energia eólica que termina em uma praia que tem vista para o Porto de Sergipe. De ônibus, sei que é possível chegar, mas as informações são vagas. Não sei se a linha existente parte de Aracaju ou se é necessário seguir para Pirambu, para, de lá, tomar outro ônibus com destino ao povoado Lagoa Redonda. Na dúvida, caso possa, é preferível contar com um carro.  

Dunas próximo à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, no Litoral Norte de Sergipe
Dunas próximo à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, no Litoral Norte de Sergipe

A partir de Aracaju, a capital do estado, o trecho inicial não é complicado e está em boas condições. Deve-se seguir para o centro da cidade para atravessar a ponte Aracaju-Barra, que liga a capital ao município da Barra dos Coqueiros, o primeiro do Litoral Norte. Já na primeira rotatória, é necessário seguir à esquerda sentido Pirambu e Porto de Sergipe através da rodovia SE-100. Dali, são cerca de 14 quilômetros até a segunda rotatória, localizada na entrada do porto, no entroncamento com a rodovia SE-240. Deve-se seguir no mesmo sentido, na mesma rodovia, agora com destino a Pirambu. No trajeto de 15 quilômetros serão vistas áreas de dunas e até dezenas de grandes torres de energia eólica. Ao chegar lá e passar pela rotatória na entrada da cidade, segue-se sentido a Japaratuba (esquerda). Após aproximadamente 5 quilômetros ou após o segundo quebra-molas, em um pequeno povoado deve-se entrar em uma estrada que fica à direita. Existe apenas uma placa que sinaliza o acesso à lagoa.

Paisagem do Litoral Norte de Sergipe e Porto de Sergipe
Paisagem do Litoral Norte de Sergipe e Porto de Sergipe

Após sair da SE-100 e entrar na estrada menor, o acesso já não é sinalizado e a via já não é das melhores. Primeiro, deve-se descer por alguns metros uma pequena ladeira e, em seguida, dobrar à direita, continuando assim na via pavimentada que nesse ponto tem uma leve subida (cheia de buracos). Pouco após essa subida a nova companheira de viagem por não mais que 19 quilômetros se faz presente: a estrada de terra. A depender da época, ela pode estar em bom estado (como no verão), sem muitos buracos e você consegue transitar com velocidade máxima entre 40 e 60 km/h (estourando). Apesar de, na maior parte do trecho, a estrada ser de terra batida, em alguns pontos pode ter acúmulo de areia fofa, ou seja, é bom ter atenção para não derrapar. Bom, do último ponto até o povoado Lagoa Redonda, não existe entrocamentos. Ao chegar ao povoado, paralelepípedos dão o ar da graça, e esses permanecem até pouco antes do final da estrada que termina justamente em frente a alguns bares super simples que ficam ao lado de um riacho. É nesse ponto que se deve parar. Esse local é chamado de "orlinha", mas é bem simples e sem qualquer sinalização.


Vegetação próximo à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Litoral Norte de Sergipe
Vegetação próximo à Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu - Sergipe

Atenção: quando estiver na última estrada, já no povoado Lagoa Redonda, mas antes de chegar à lagoa/riacho, em um determinado trecho chega-se a uma pequena bifurcação com placas que não sinalizam o acesso à lagoa, mas sim a bares e restaurantes. Portanto, deve-se continuar na estrada pavimentada que segue para a direita. Caso dobre à esquerda em uma estrada estreita de terra batida, estará seguindo sentido Pacatuba, local que guarda paisagens ainda mais inexploradas como o Pantanal de Pacatuba e a praia da Ponta dos Mangues. Tendo um bom tempo disponível, pode ser interessante desbravar esse caminho. ;)

Campo de futebol ao lado do riacho da Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu, Litoral Norte de Sergipe
Campo de futebol ao lado do riacho da Lagoa Redonda, na Reserva Biológica de Santa Isabel, em Pirambu - Sergipe

segunda-feira, 5 de maio de 2014

No Amapá, diante do Rio Amazonas, está a Fortaleza de São José de Macapá, a maior da América Latina

Que o Brasil é um dos países com mais fortificações permanentes construídas na época colonial, não é nenhuma novidade. Mas, o que muita gente não sabe, é que elas estão presentes também na região Norte, na Amazônia. Construídas há séculos pelos colonizadores portugueses com o objetivo de resguardar as cidades e pontos estratégicos de possíveis invasões, algumas nunca chegaram a participar de batalhas. Uma dessas é a pouco conhecida fortaleza de São José de Macapá - localizada na capital do estado do Amapá - que ostenta o título de maior fortaleza construída por portugueses na América Latina. Vamos conhecê-la!

Aproveite e acompanhe outras postagens sobre a Amazônia, conferindo relatos e muitas fotos de lindos lugares localizados nos estados do Pará e do Amapá (clique nos nomes para acessar). 

Passarela e porta principal da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Passarela e entrada principal da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá - Por Tito Garcez em 2014

Praça principal e prédios da entrada da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Praça principal e prédios da entrada da Fortaleza de São José de Macapá
A Fortaleza de São José de Macapá começou a ser construída em 1764 e só foi inaugurada 18 anos depois, em 1782. A data escolhida foi para homenagear o santo padroeiro da cidade, São José. Sua localização era considerada muito privilegiada, afinal está à margem esquerda do rio Amazonas, próximo ao seu trecho final, relativamente perto de sua foz. Na época de sua construção, o local era considerado a porta de entrada para a Amazônia e os portugueses o planejaram com o objetivo de impedir o avanço de invasores rio a dentro, mas, também, objetivaram a sua construção para que fosse um grande monumento militar.

Canhão e guarita de baluarte da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Canhão e guarita de baluarte da  Fortaleza de São José de Macapá
Prédios no interior da  fortaleza
























APA do Rio Curiaú, em Macapá
Para a construção, foram utilizados principalmente escravos trazidos diretamente da África. Foram eles que, tempos depois, acabaram por formar dezenas de quilombos espalhados pelo estado do Amapá. Um dos mais conhecidos, que inclusive está localizado em Macapá, é o Curiaú, que resiste na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Curiaú (confira a publicação sobre o lugar clicando aqui), uma bela região com mata cercando grandes áreas de campo alagáveis.

Praça principal da Fortaleza de São José de Macapá com reservatório de águas fluviais e capela, no Amapá
Praça principal da Fortaleza de São José de Macapá com reservatório de águas fluviais e capela

Fortaleza de São José de Macapá e edifício moderno de Macapá, no Amapá
Contraste entre o novo e o antigo visto a partir da fortaleza
Com o passar dos anos, a cidade foi se desenvolvendo, crescendo no entorno da fortaleza, que está localizada em plena área central da capital amapaense. Ao seu redor, se desenvolveu a área comercial de Macapá, bem como a de lazer, afinal é nessa região da orla que estão alguns parques, bares e calçadões utilizados pela população principalmente aos finais de semana e a partir do final da tarde, quando a temperatura fica mais amena, para relaxamento ou até mesmo para a prática de atividades físicas.

Rio Amazonas e navios cargueiros vistos a partir de baluarte da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Rio Amazonas e embarcações vistas a partir de baluarte da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Maquete da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Réplica da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
O tamanho da Fortaleza de São José de Macapá de fato impressiona. Esse era o objetivo dos portugueses que visavam mostrar a grandeza do poder militar de Portugal à época. Tanto é que, além da fortificação de Macapá, foi construída, também na mesma época, o Forte Real Príncipe da Beira, que, localizado à margem direita do rio Guaporé, em Rondônia, na fronteira com a Bolívia, e possui dimensões e formato muito parecidos com a construção do Amapá. A fortaleza macapaense, tanto vista de cima, do avião, como observada a partir da orla, se mostra impactante, provavelmente fazendo jus, assim, a ser divulgada sobretudo no Amapá como sendo a maior fortificação portuguesa da América Latina. No que diz respeito ao Brasil, ao menos em se tratando das fortificações conhecidas por mim (ou de que eu tenho conhecimento), ela é de fato a maior, e grande parte das construções militares deste tipo é minúscula comparado a ela. A fortaleza segue um estilo de fortificação abaluartada e tem como principal característica ter um formato de estrela.

Passarela de madeira da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Passarela de madeira da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

A visita

Após chegar ao estacionamento, que fica em frente ao Mercado Central de Macapá - mais especificamente do outro lado da rua Cândido Mendes -, é possível ver algumas passarelas de madeira que facilitarão o acesso à fortaleza. Elas foram instaladas sobre o fosso seco, que era um dos itens de proteção da entrada da fortificação. A primeira passarela liga o estacionamento ao revelim externo, que nada mais é do que uma pequena fortificação construída em frente à entrada da principal, para assim protegê-la. Só o revelim da fortificação macapaense tem tamanho que chega a desbancar ou "competir" com muitos fortes Brasil afora.

Passarelas, revelim e entrada da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Passarelas e entrada da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Prédio no Revelim da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Revelim da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
No revelim, é possível ter uma ideia do tamanho da entrada da fortaleza e de suas muralhas construídas com pedra e cal, que chegam a ter uma altura de, em média, 10 metros (encontrei informações contraditórias sobre a altura. Alguns dizem que possui 8 metros, outros 10 e falam até em 15 metros...). Apesar de grande parte da estrutura ser original, infelizmente as passarelas não o são. A passarela principal, que ligava o revelim à fortaleza, e que possuía uma parte levadiça, com o passar dos séculos foi perdida. Por isso, foram construídas passarelas que simulassem as originais e que facilitassem o acesso passando pelo fosso que possui mais aproximadamente 2 metros de profundidade.

Entrada principal, passarela e revelim da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Porta principal, passarela e revelim da fortaleza
Detalhe da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Detalhes da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
























Ao atravessar a última passarela, já se está de fato na entrada principal da fortaleza, que possui piso original preservado. Na sala localizada ao lado esquerdo, é possível conferir algumas informações sobre a fortificação, seu projeto e processos de restauração. Além de poder ver uma imagem de como seria o projeto original, é possível ver, também, algumas maquetes/réplicas da fortaleza feitas com diferentes materiais. Dentro da entrada principal, algumas áreas estão mantidas de forma satisfatória, e outras nem tanto, mas prossigamos com a visita que só está no começo.

Rampa e praça quadrada da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Rampa, praça principal e prédios da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Interior da capela da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Interior da capela da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Saindo da entrada principal, eis que é acessada a tão esperada praça principal da fortaleza, onde é possível encontrar 8 prédios dispostos em praça quadrada e que possui, também, quatro baluartes pentagonais nos vértices, ou seja, nas pontas. Os edifícios construídos na área interna - que é, diga-se de passagem, enorme e possui aproximadamente 22.500 metros quadrados - na época de sua construção, possuíam, cada um, uma finalidade. Os prédios abrigavam a capela, os antigos armazéns, a casa de oficiais e do comandante, paiol de pólvora, casamatas e hospital. Atualmente, alguns prédios da praça estão abertos à visitação - como o da capela - e outros servem para uso administrativo.

Capela da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Detalhe de telhado e da capela da fortaleza
Detalhe da entrada d edifício localizado na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Detalhe da entrada de prédio da fortaleza
























    Reservatório de águas fluviais na praça principal da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Reservatório de águas fluviais na praça principal da fortaleza
No centro da praça principal, é possível ver, ainda, um reservatório de águas fluviais protegido por uma grade de ferro, e,  nos fundos da fortificação, pode ser acessada uma área composta por galerias que ultimamente é utilizada para a realização de exposições e eventos no geral, mas que no passado funcionou como a prisão da fortaleza. Metade do espaço está relativamente bem preservada, inclusive mantendo o piso original, mas, o outra, foi reformada e um pouco descaracterizada, provavelmente em consequência de que, antes da criação da conscientização da importância da preservação do patrimônio histórico - que é, inclusive, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1950, a fortificação era utilizada para os mais diversos fins e chegou a abrigar estruturas e eventos que  foram danosos à preservação das suas características físicas originais.

Galerias localizadas nos fundos da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Galerias localizadas nos fundos da fortaleza
Detalhe de janela com grade da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Detalhe de janela com grade da Fortaleza de S. J. de Macapá
























Detalhes do interior da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Detalhes do interior da  Fortaleza de São José de Macapá
Da praça, é possível ver rampas que dão acesso a cada um dos 4 baluartes. Todos foram nomeados com nomes de santos. Essa homenagem ocorre por conta do início (ou término) da construção de cada um em um dia dedicado a algum santo. Por isso, o primeiro baluarte - voltado para o rio Amazonas, chamado de São Pedro, foi nomeado assim em razão do início de suas obras ter ocorrido em 29 de junho de 1764. Os outros são chamados de Nossa Senhora da Conceição, Madre de Deus e São José.

Rampa da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Rampa da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Ao chegar em um dos dois baluartes voltados para o rio Amazonas, temos a real dimensão de quão extenso é esse que é considerado o maior rio do mundo, e que só banha Macapá dentre as capitais da região Norte. Com uma largura média de 5 km de uma margem a outra em toda a sua extensão, em alguns trechos é impossível visualizar a outra margem, parecendo assim que estamos diante de um mar. Isso é incrível!

Canhão e guarita do baluarte São Pedro na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Canhão e guarita do baluarte São Pedro na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Detalhe da Fortaleza de São José de Macapá em frente ao Rio Amazonas, no Amapá
Detalhes da Fortaleza de São José de Macapá em frente ao Rio Amazonas
Além de poder visualizar o rio Amazonas e a movimentação principalmente de embarcações cargueiras de grande porte que têm como ponto de saída (ou de destino) o porto de Santana, que é o principal do Amapá ou que estão de passagem para outros portos Amazônia adentro, pode-se observar um pouco da orla de Macapá. À esquerda, é visualizado facilmente o Trapiche Eliezer Levy, que, com 360 metros de comprimento sobre o grande rio Amazonas, e tendo à frente um posto de informações turísticas e sorveteria e, ao fundo, um restaurante, transformou-se em um ponto turístico bastante visitado principalmente por nele existir um bondinho elétrico que leva os visitantes de uma ponta a outra.



Rio Amazonas, Trapiche Eliezer Levy e Estátua de São José vistos partir da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Rio Amazonas, Trapiche Eliezer Levy e Estátua de São José a partir da Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Ao lado do trapiche, pode ser observada uma pequena estátua localizada em pleno rio. Ela nada mais é do que uma imagem de São José, o santo padroeiro que deu nome a diversas construções de Macapá. E é bem próximo a onde ela está, que, na maré baixa - que faz com que o rio Amazonas recue centenas de metros, é que costumeiramente é praticado um esporte só um pouco habitual: o futebol. Digo só um pouco porque ele não é praticado nem na areia e nem muito menos na grama. Ele é praticado em plena lama. Por isso, recebeu o nome Futebol na Lama e ficou conhecido como um dos símbolos esportivos da capital amapaense.

Rio Amazonas, Trapiche Eliezer Levy e lama que é utilizada para o Futebol na Lama em Macapá, no Amapá
Rio Amazonas e Trapiche Eliezer Levy vistos a partir de baluarte da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Através dos baluartes, também podemos observar o entorno da fortaleza, que foi transformado em um parque. Mas não são só paisagens que podem ser vistas dos baluartes da fortificação. Além das 7 guaritas existentes na construção principal (e uma no revelim, à frente da fortaleza), podem ser vistos em cada baluarte 14 espaços chamados de canhoneiras que serviam para a utilização de canhões. Ou seja, nos 4 baluartes podem ser encontrados 56 desses espaços, que poderiam abrigar a mesma quantidade de canhões de guerra, isso sem contar com as outras 11 canhoneiras existentes no revelim. Em alguns deles, sobretudo nos que estão voltados para o rio Amazonas, é possível encontrar alguns exemplares de canhões, que são provavelmente da época.

Guarita do baluarte de São Pedro na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Guarita do baluarte de São Pedro na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Canhões e canhoneiras em baluarte da  Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Canhões em canhoneiras de baluarte da Fortaleza de São José de Macapá
É inegável que essa foi uma das construções militares com um dos maiores potenciais defensivos e de ataque existentes no Brasil na época colonial. Contudo, nada foi utilizado em batalhas. Nenhum tiro foi disparado e nenhum canhão chegou a ser utilizado contra possíveis inimigos, por nenhum das centenas de homens que chegaram a servir à coroa portuguesa no auge de seu funcionamento. Talvez por isso, sua estrutura original permaneceu intacta por tanto tempo. Hoje, aparentemente, 90% do espaço preserva as características originais.  

Para os que gostam de observar pequenos detalhes, no centro do baluarte São Pedro, pode passar despercebido pela maioria das pessoas um pequeno e curioso objeto metálico, que mais parece uma moeda. É possível  ler, em sua face superior, que se trata de um Marco Testemunho Hidrográfico instalado pela Marinha do Brasil, mas até hoje não consegui descobrir para o que serve na prática. Se alguém souber, por favor, me conte! ;)

Marco  Testemunho Hidrográfico instalado pela Marinha do Brasil na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Marco  Testemunho Hidrográfico instalado pela Marinha do Brasil na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá

Funcionamento e agradecimento

A Fortaleza de São José de Macapá funciona de terça-feira a domingo, das 09 às 18h e a entrada é gratuita. É possível que um monitor faça o acompanhamento durante a visitação. Para mais informações, ligar para +55 (96) 3212-1260.

Aproveito para agradecer à equipe do Instituto Municipal de Turismo de Macapá (Macapatur) por ter me possibilitado conhecer esse que é o mais importante e visitado monumento histórico do Amapá, ponto de parada obrigatório para aqueles que estejam em Macapá.

Detalhe do interior de edifício localizado na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá
Detalhe do interior de prédio localizado na Fortaleza de São José de Macapá, no Amapá


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