domingo, 23 de março de 2014

Litoral Paraense: travessia entre Marudá e Algodoal, na ilha de Maiandeua, através da Baía de Marapanim

O estado do Pará tem um dos maiores litorais do Brasil, mas, apesar disso, suas praias oceânicas ainda são um tanto desconhecidas, inclusive pelos próprios paraenses que desde sempre estão acostumados a conviver principalmente com os rios, que, parafraseando um amigo, são considerados uma preciosidade logística, já que as áreas mais povoadas estão no interior do estado, incluindo a própria capital. 

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Barco de pesca na baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal,  no Pará
Barco de pesca na baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal,  no Pará - Por Tito Garcez em fevereiro de 2014

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Pela enorme quantidade de rios, furos e baías, a água doce é o principal meio de integração, não só do estado como de toda a região amazônica (Aproveite e veja as publicações sobre a navegação por entre ilhas da Baía do Guajará e sobre a ilha de Cotijuba e a praia do Vai-Quem-Quer). É por isso que alguns recantos no litoral permanecem um tanto preservados, e este é o caso de Algodoal, uma vila localizada na ilha de Maiandeua, paraíso que acabou ficando mais conhecido pelo nome de sua principal vila. Pouco a pouco, o local está despertando a atenção principalmente do turismo nacional e internacional. Felizmente não existem pontes, o que faz com que a tranquilidade do lugar seja preservada. 

Aves descansam em currais na baía de Marapanim entre Marudá e Algodoal, no Pará
Aves descansam em "currais" na baía de Marapanim

Trapiche antigo do porto de Marudá, em Marapanim, no Pará
Trapiche antigo do porto de Marudá, em Marapanim

Mesmo no litoral, alguns locais só podem ser acessados fazendo uso do que o paraense mais está acostumado: a navegação. Para chegar à ilha de Maiandeua - que pertence ao município de Maracanã - e, consequentemente, à vila de Algodoal, é necessário embarcar em pequenos barcos, que no Pará geralmente são chamados de "Pô-pô-pôs", no porto de Marudá, que é um distrito - com cara de cidade - que está localizado no município de Marapinim. Para chegar até lá, a partir de Belém, não é muito complicado. Da rodoviária da capital é possível embarcar em um ônibus da empresa Rápido Excelsior e viajar em média 4h pagando pouco mais de R$20,00. De carro, os 160 Km que separam Belém de Marudá podem ser percorridos, primeiramente, através da rodovia BR-316 até a cidade de Castanhal. De lá, é necessário acessar a PA-116 e, por fim, entrar na PA-318 no entrocamento que sinaliza o acesso a Marapanim. 

Pô-pô-pô navega através da  baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal, no Pará
Pô-pô-pô navega através da  baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal

Caso o visitante deseje ter comodidade tanto no transporte como na hospedagem, é aconselhável entrar em contato com a Algodoal Turismo, empresa que realiza traslados a partir de Belém e faz reservas em meios de hospedagem da ilha. Além do site, é possível entrar em contato através do e-mail atendimento@algodoalturismo.com.br e dos números (091) 3352-0841 / 8201-3653.


Tabela de horários da travessia entre Marudá e Algodoal, no Pará
Tabela de horários da travessia Marudá-Algodoal e do retorno

Garça e barco próximo ao porto de Marudá, em Marapanim, no Pará
Garça e barco no distrito de Marudá, em Marapanim
Já em Marudá, pouco antes de chegar à praia, podem ser vistos alguns restaurantes que podem servir como ponto de apoio caso ainda não seja o horário de atravessar. Almoçar em um deles pode ser recomendável. Caso o objetivo seja chegar logo ao porto, na chegada ao distrito, após passar pela rodoviária e pelos restaurantes, chegando à avenida que beira o mar, é necessário dobrar à direita e seguir poucos quilômetros até o seu final, já em frente ao porto. No entorno da pequena pracinha podem ser encontradas diversas placas que sinalizam estacionamentos. 

A quantidade de estacionamentos é explicada pelo fato de que, na ilha, não se utilizam meios de transportes motorizados que não sejam os utilizados para a navegação. Portanto, carros têm que ser deixados em Marudá, em estacionamentos simples que cobram em média R$10,00 pela diária. É importante pesquisar e pechinchar, pois, no caso de um final de semana, mesmo que geralmente o veículo só ocupe o local por metade da sexta, por todo o sábado e por metade do domingo, muitos interpretam como sendo três diárias, quando na prática são apenas duas. Enfim, tem que negociar! 

Marisqueira trabalha próximo ao porto de Marudá, em Marapanim, no Pará
Catadora de mariscos trabalhando próximo ao porto de Marudá
Já no pequeno porto, a passagem de ida pode ser comprada por R$7,00 e, apesar de os horários estarem disponibilizados no cartaz, é bom confirmar com as pessoas se a embarcação sairá mesmo no horário previsto, pois a depender da tábua das marés ou das condições climáticas, o horário pode ser adiantado, postergado ou até cancelado, restando assim embarcar em algum outro. 


Em frente ao porto, na maré baixa, é possível notar o aparecimento de diversos bancos de areia que dão a impressão de que se demoraria horas até que fossem cobertos quando a maré começasse a subir. Contudo, curiosamente a entrada de água vinda do mar é assustadoramente rápida, fazendo com que em poucos minutos todos os bancos já estejam submersos. E é por conta dessa rapidez que os catadores de mariscos também tentam fazer o seu trabalho o mais rápido possível. É interessante caminhar através da rampa e observar a busca pelo alimento ou pela renda, seja vendo pessoas catando mariscos ou pescando em pequenos barcos, como também ao ver aves, como por exemplo as garças, em busca de pequenos peixes e crustáceos. 


Casas de madeira localizadas no distrito de Marudá, em Marapanim, no Pará
Casas de madeira localizadas no distrito de Marudá, em Marapanim

Canoa motorizada navega através da  baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal, no Pará
Rabeta navega através da  baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal
Após a embarcação chegar e todos os passageiros e suas bagagens serem embarcados, a travessia entre Marudá e a ilha é iniciada. Ela dura em torno de 45 minutos e tem a fama de ser “agitada”, por ir de encontro a muitas ondas e consequentemente por balançar bastante, mas, curiosamente, nesse caso, tanto na ida como na volta, o trajeto foi feito com uma certa tranquilidade. Foi até motivo para conversa entre aqueles que frequentemente navegam pela região. Sorte nossa!    

Cachorro no Porto de Marudá, em Marapanim, no Pará
Cão concentrado no Porto de Marudá, em Marapanim

Marisqueiros e pequenos pescadores em frente ao porto de Marudá, no Pará - Por Tito Garcez
Catadores de mariscos e pequenos pescadores em frente ao porto de Marudá

No trajeto, é possível observar os muitos currais que são montados para a captura de peixes e de camarões que entram na maré alta e permanecem ilhados quando ela baixa, ficando assim vulneráveis à captura. Nessas estruturas de madeira, principalmente ao final da tarde, é comum observar muitas garças, mergulhões, entre outras aves, descansarem antes de seguir para a passagem da noite no manguezal. 


Embarcação navega através da baía de Marapanim, entre Marudá e Algodoal, no Pará
Embarcação navega através da baía de Marapanim


Navegando através da baía de Marapanim, pode-se observar, também, o vai e vem de embarcações que transitam por ali, sendo muitas delas pequenas e que são utilizadas principalmente para a pesca. Simplesmente para embelezar seus barcos, ou até mesmo para chamar a atenção, alguns os pintam com cores fortes, bem coloridas. 



Barco em Algodoal, no Pará
Barco em Algodoal

Por fim, após uma travessia tranquila, chegamos à famosa ilha de Maiandeua, mais conhecida como Algodoal, pois é por esse nome que inclusive grande parte dos paraenses se refere ao lugar. Nomenclatura à parte, ele é lindo e será conhecido a partir da próximo publicação. Não perca! ;)

Bandeiras do Pará e do Brasil em Pô-pô-pô que realiza a travessia entre Marudá e Algodoal, no Pará
Bandeiras do Pará e do Brasil em Pô-pô-pô
Homem olha para o porto de Algodoal na chegada da travessia através da  baía de Marapanim
Homem olha para o porto de Algodoal na chegada da travessia através da  baía de Marapanim

Marisqueira trabalhando em Marudá, no Pará
Catadora de mariscos trabalhando em Marudá

Barco Aryella no distrito de Marudá, em Marapanim, no Pará
Barco Aryella no distrito de Marudá

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sexta-feira, 14 de março de 2014

Amazônia Paraense: conhecendo a Ilha de Cotijuba e a Praia do Vai-Quem-Quer

Após partir do Terminal Hidroviário (na verdade, um trapiche comum) de Icoaraci – que é um distrito de Belém - e navegar pela baía do Guajará  por cerca de 45 minutos  por entre algumas ilhas e observar um pouco da vida dos ribeirinhos, chegamos à ilha de Cotijuba, que, curiosamente, ainda faz parte do município de Belém, apesar da distância e da diferença no estilo de vida levado por quem ali vive. É nessa ilha que está uma das praias mais bonitas da região e que possui um nome muito curioso: Vai-Quem-Quer. E é para lá que vamos! (Se ainda não viu a publicação inicial, clique aqui para acompanhar todas as etapas desse passeio)

Vegetação e faixa de areia da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Vegetação e faixa de areia da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará. Por Tito Garcez em 2014
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   Ruínas da antiga prisão e do Educandário Nogueira de Faria, na ilha de Cotijuba, no Pará
Ruínas do Educandário Nogueira de Faria
Ao desembarcar na ilha, a impressão inicial é de se estar em um local pitoresco, parado no tempo. Caminhando pelo trapiche, as árvores altas se destacam, mas, à frente, o que mais chama a atenção é uma curiosa construção em ruínas, que é a primeira feita em alvenaria que vemos desde que saímos de Icoaraci. Nela funcionava o antigo Educandário Nogueira de Faria, que em um primeiro momento me fez pensar que fosse uma simples instituição de ensino, mas logo me foi dito que era, na verdade, um local construído para abrigar menores infratores nos anos 30 e que serviu, também, como prisão para presos políticos durante o regime militar. Nesse aspecto a ilha não guarda boas lembranças, mas falemos das coisas boas...

Passarela de acesso ao porto da ilha de Cotijuba, no Pará
Passarela de acesso ao terminal hidroviário da ilha de Cotijuba

Cavalo utilizado para transporte de pessoas em charrete na ilha de Cotijuba, no Pará
Cavalo utilizado para transporte de pessoas


Como a ilha é uma Área de Proteção Ambiental, não são permitidos grandes veículos motorizados – salvo algumas exceções – por isso, para se transitar por lá e inclusive para se chegar à esperada praia do Vai-Quem-Quer, as principais opções disponíveis são: charretes que ficam bem em frente ao antigo Educandário; motocicletas, que são muito utilizadas pelos moradores; o chamado "bondinho" puxado por um trator que costuma funcionar principalmente nos dias de maior movimento; e, por fim, as pernas, afinal, é perfeitamente possível ir caminhando, apesar de ser aconselhável para quem tem muita disposição, já que calculo que o tempo de caminhada seria de por volta de uma hora. De charrete, ida e volta à praia sai por um valor que gira em torno de R$50,00 e que pode ser dividido por até quatro pessoas. De bondinho, o valor cai para por volta de R$6,00 o trecho, contudo, nos dias úteis ele só parece funcionar uma vez na manhã e outra ao final da tarde.



Barco na ilha de Cotijuba, em Belém, no Pará
Barco na ilha de Cotijuba

Búfalo utilizado para transporte de carga na ilha de Cotijuba, em Belém, no Pará
Búfalo utilizado para transporte de carga na ilha de Cotijuba
Apesar de o prédio em ruína dar ao lugar, inicialmente, ares de um local abandonado, essa impressão muda quando começamos a transitar pelo povoado através da sua principal rua, que é de terra do começo ao fim. Ele mostra ser movimentado, com pessoas indo de um lado a outro à pé, à cavalo, de moto ou até de búfalo – que lá também é utilizado para substituir os caminhões de lixo, talvez por influência da ilha “vizinha”, a do Marajó, que fica a algumas horas dali. Como a visita foi feita no chamado inverno amazônico, a estrada possuía muitas poças e estava muito molhada – mais um motivo para não se ir à praia à pé. E foi transitando por ela que fomos observando um pouco da vida levada pelos moradores, que observavam o ir e vir de pessoas a partir da varada de suas casas ou até mesmo através de suas mercearias, salões de beleza, lanchonetes etc.

Estrada de acesso à praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Estrada de acesso à praia do Vai-Quem-Quer

Visitantes da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará   
Visitantes da praia do Vai-Quem-Quer
Após trafegar por cerca de 25 minutos por 9 Km, chegamos à entrada da praia do Vai-Quem-Quer através da mesma estrada que passa em frente ao Educandário. Até onde se sabe, a praia recebeu esse nome curioso por ser a mais distante e que possuía um acesso mais complicado. O trecho inicial possui alguns bares/restaurantes e até pousadas, todos muito rústicos, construídos principalmente com madeira e palha. Dali já se tem uma magnífica vista para a Baía do Marajó, que, para os desavisados, pode parecer ser o mar, mas que na verdade é composta por água inteiramente doce e tranquila, quase sem ondas.

Bares da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Bares da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Casal e cachorros abandonados na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Casal e cachorros
Por ter ido na baixa temporada – inverno amazônico e sem ser em feriado ou final de semana, a praia estava quase deserta. Só se via uma quantidade de pessoas que poderia ser contada nos dedos, e também os cachorros abandonados que aparentemente podem ser encontrados em qualquer lugar do Pará, principalmente nas praias.  Se não fosse pela música que é tocada nos bares, com destaque para o Reggae e para o Brega local, seria possível escutar apenas o som dos animais que ficam na vegetação do entorno, acima do barranco.

Cabana e vegetação na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará Cabana de madeira na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará



Vale a pena sair caminhando para o  trecho que fica mais à direita, para onde se avista uma ponta cheia de pedras. Até chegar lá, podem ser vistas algumas altas cabanas de madeira utilizadas por pescadores inclusive na época de maré muito alta e também diversas escadinhas artesanais que, construídas barranco acima, facilitam a ligação entre a praia e algumas poucas casas de alguns moradores – ou de veranistas.

Pedras e barracas de pescadores na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Pedras e barracas na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Vista a partir do barranco da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Vista a partir do barranco da praia do Vai-Quem-Quer
Prosseguindo com a caminhada, é possível observar que a erosão é intensa no barranco, provavelmente agravada em razão do período chuvoso e de cheia. Muitas árvores, incluindo algumas grandes, pouco a pouco vão caindo, mas isso não consegue tirar a beleza do lugar, que inclusive ainda possui diversas árvores altas, destacando-se uma que fica próxima aos bares e que aparenta ser uma Castanheira. Algo a mais que pode ser observado é a diferença de cor da terra argilosa que pode ser encontrada no barranco. Em um trecho foi possível ver três tonalidades diferentes. Para os adeptos ao “banho de lama”, como o que ocorre em algumas praias que contém falésia do litoral nordestino, seria um prato cheio e certeza de muita diversão.

Barraca na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Barraca na praia do Vai-Quem-Quer
Diferentes tonalidades de argila encontradas no barranco da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Diferentes tonalidades de argila





















Tempo fechado na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Tempo fechado na praia do Vai-Quem-Quer



Nadar ou simplesmente banhar-se nas águas mornas da praia é uma experiência muito agradável e, no geral, tranquila. O principal cuidado que é dito para se ter é o de entrar na água com os pés sempre grudados ao fundo, para assim espantar possíveis arraias que por lá poderiam estar enterradas e evitar levar uma ferroada, fato que não é tão incomum de acontecer principalmente nas praias de água doce. Fora isso, é possível passar horas dentro da água sem ser incomodado, tendo uma bela vista para a praia vazia ou para a imensa baía do Marajó e algumas de suas ilhas. 

Canoa na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Canoa alagada na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Barracas, cachorros e vegetação na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Barracas e cachorros na praia do Vai-Quem-Quer




Apesar de a praia estar vazia, isso não significa que mesmo que o visitante esteja só, que ele fique desacompanhando. Se der sorte, ele poderá ganhar um "filho temporário", ou melhor dizendo, a companhia de um cachorro que poderá escolhê-lo como pai por um dia e virar a sua sombra - mesmo que o sol não se faça presente - inclusive na hora de subir o barranco através das escadas de madeira. Eles apreciam mesmo a companhia humana, e não tente correr, pois eles podem ser mais rápidos.






Barracas de palha na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Sombeiros de palha na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Por fim, é importante dizer que visitar uma praia de água doce é uma das experiências mais interessantes que se pode ter na Amazônia. Apesar do estado do Pará também possuir um litoral imenso, cheio de praias voltadas ao Oceano Atlântico, é nas praias fluviais que a população no geral costuma aproveitar o tempo livre principalmente nos finais de semana e nas férias de verão - que lá têm seu auge no mês de julho. Navegar até a ilha de Cotijuba e passear despretenciosamente na praia do Vai-Quem-Quer é um programa altamente recomendável. Não deixe de fazer! ;) 

Cartaz de comida na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Cartaz na praia do Vai-Quem-Quer

Barranco e vegetação na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Barranco na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Singela flor na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Singela flor

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segunda-feira, 10 de março de 2014

Amazônia Paraense: navegando por entre as ilhas da Baía do Guajará

Amazônia. Essa palavra, ou melhor dizendo, essa região, ainda faz parte do imaginário popular como sendo um lugar exótico, desconhecido. Turisticamente falando, curiosamente ela é tão ou mais visitada por estrangeiros do que pelos próprios brasileiros, que no geral a imaginam como algo “distante”, intocável, mas que, a quem se dispõe a conhecê-la, percebe que além da conhecida imensa área selvagem, há muitos locais que podem ser visitados sem que haja um grande esforço ou sem necessitar passar longas horas viajando região adentro.

Casas de ribeirinhos na ilha de Paquetá-Açu, na baía do Guajará
Casas de ribeirinhos na ilha de Paquetá-Açu, em Belém - Pará. Por Tito Garcez em 2014
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Canoa navegando pela baía do Guajará, em Belém - Pará. Por Tito Garcez
Rabeta (pequena embarcação motorizada) 'Paciência' navegando pela baía do Guajará
Essa é a primeira publicação de uma série sobre a Amazônia, que contará com relatos sobre locais visitados nos estados do Pará e do Amapá, onde pude conhecer lugares como a histórica cidade de Belém e algumas de suas ilhas; a ilha de Maiandeua - mais conhecida como Algodoal, localizada no litoral paraense; a importante cidade de Santarém e a famosa vila de Alter do Chão, ainda no estado do Pará e, por fim, alguns dos principais atrativos da “capital do meio do mundo”, Macapá.

Cerâmica Marajoara produzida em Icoaraci, em Belém - Pará. Por Tito Garcez
Cerâmica Marajoara produzida em Icoaraci
Nesses intensos dias de passeios e descobertas, tive a oportunidade de conhecer belas paisagens, descobrir a existência de diversas espécies animais e vegetais e ter um contato mais próximo com algumas coisas que habitavam o meu imaginário há tempos: botos cor-de-rosa, vitórias-régias e guarás. Não posso esquecer também dos muitos nomes e expressões que foram aprendidos e/ou escutados exaustivamente, como o famoso “égua” e as muitas palavras de origem indígena e também, porque não, da culinária local.


Casa de madeira cercada por açaizeiros na ilha de Paquetá-Açu, em Belém - Pará
Casa cercada por açaizeiros na ilha de Paquetá-Açu
E tudo não poderia ter sido visto, vivenciado, aprendido, se eu não tivesse tido a oportunidade de conhecer - e de rever – muitas pessoas especiais, que fizeram com que a viagem fosse espetacular. Em cada canto pude aprender bastante e ter momentos divertidos graças a pessoas como Anderson, Thaís, Carina, Natália, Lucas, Stella, Maristella, Miguel, Alex, Marcos, Larissa, Henrique, Suzana, Kátia, Andrés, Renata, Aline, Kinho, Marilia, Edilza, Arlete... e... não poderia esquecer do amigo Yuri, entre outros. Meu muito obrigado a todos! ;)


Barcos e skyline de Belém vistos da baía do Guajará
Barcos e a verticalização de Belém vistos da baía do Guajará


Barcos navegam pela baía do Guajará, em Belém - Pará
Barcos navegando pela baía do Guajará

Barco e skyline de Belém vistos da baía do Guajará
Barco e skyline de Belém

Barco navega ao final da tarde através da baía do Guajará, em Belém - Pará
Barco navega ao final da tarde pela baía do Guajará

Navegando pela baía do Guajará

Trapiche de Icoaraci, um distrito de Belém - Pará
Trapiche de Icoaraci
Para começar os relatos da série, nada melhor que mostrar um pouco do que pode ser visto quando fazemos uso da navegação, que é notadamente o principal meio de locomoção dos amazônidas, ou, mais especificamente, quando viajamos com destino à ilha de Cotijuba. Para tanto, é necessário embarcar geralmente em pequenos barcos - que, em sua maioria, são chamados popularmente de “pô-pô-pôs”, no Trapiche de Icoaraci, um distrito de Belém. O trajeto entre o Centro da capital paraense e o distrito leva, de ônibus, em torno de 40 minutos para ser percorrido e a tarifa custa R$ 2,20. Do trapiche até a ilha a passagem custa R$ 4,00. Sendo assim, mesmo que o objetivo não seja visitar a ilha de Cotijuba, é possível fazer um bate e volta só para apreciar a paisagem e observar um pouco da vida dos ribeirinhos.


Desembarque de carga no trapiche do distrito de Icoaraci, em Belém - Pará
Desembarque de carga no trapiche de Icoaraci
No trapiche, que é uma espécie de terminal fluvial, já é possível observar o vai e vem de embarcações utilizadas não só para transporte de pessoas, mas também para a pesca e até para o transporte de cargas. A partir dele, não pode deixar de ser notada a presença do enorme navio “Castillo de Guadalupe” que contrasta absurdamente com o diminuto tamanho dos pô-pô-pôs e das chamadas rabetas, que são canoas motorizadas. Dali chegam e partem embarcações para diversas ilhas da região, e possivelmente até para a imensa ilha do Marajó.

Pô-pô-pô e navio cargueiro Castillo de Guadalupe na baía do Guajará, em Belém
Pô-pô-pô e navio cargueiro na baía do Guajará

Interior de um barco que liga Icoaraci a Cotijuba através baía do Guajará, em Belém
Interior de um Pô-pô-pô que liga Icoaraci a Cotijuba através baía do Guajará
Iniciando a navegação, mesmo com o tempo fechado, é possível ver, a dezenas de quilômetros de distância, a verticalização da área central de Belém. Observa-se, também, a movimentação dos barcos, que são os únicos meios de transporte a servir muitas comunidades da região. Eles possuem as mais variadas formas, tamanhos e cores, então é sempre interessante observar cada um, ver o que transportam, de onde vêm e para onde vão etc.

Embarcações e a verticalização de Belém vistos da baía do Guajará

Casa na ilha de Jutuba, em Belém - Pará.
Casa de madeira na ilha de Jutuba
Em certo momento da travessia, chega-se num ponto que mais parece um “furo” ou canal de ligação, que separa as ilhas de Paquetá-Açu e Jutuba, que aparentemente seriam completamente selvagens se não fossem habitadas por alguns ribeirinhos, que constroem suas casas geralmente com madeira e em altura suficiente para protegê-las das cheias, que são comuns à região amazônica no período chuvoso - chamado por eles de inverno amazônico - que na região Norte geralmente ocorre entre dezembro e abril. 


Unidade Pedagógica Jutuba, na ilha de mesmo nome, em Belém - Pará
Unidade Pedagógica Jutuba, na ilha de mesmo nome
Além das pequenas construções de madeira utilizadas para moradia, é possível notar inclusive a existência de uma construção maior, a Unidade Pedagógica Jutuba que, localizada na ilha de mesmo nome e aparentemente isolada, serve como centro de ensino para os que dependem de barcos para ir às aulas. Ela parece ficar no meio do caminho entre a ilha de Cotijuba, que é a maior entre as ilhas da região, e o distrito de Icoaraci.


Casa e açaizeiros na ilha de Paquetá-Açu, em Belém - Pará
Casa e açaizeiros na ilha de Paquetá-Açu
Nas ilhas, a vegetação abundante chama a atenção. Destacam-se os imensos manguezais, que fazem qualquer canoa parecer um nada quando estão lado a lado, e também os densos pés de açaí, os chamados açaizeiros, que ao longe parecem uma palmeira, e, de perto, alguns exemplares nos fazem duvidar que as pessoas consigam subir em pés de grossura mínima para colher as frutinhas, que se transformarão na mais famosa iguaria, não só paraense como também nortista.

Barco transporta estudantes e suas cadeiras através da baía do Guajará, em Belém - Pará
Pô-pô-pô transporta estudantes (e suas cadeiras) pela baía do Guajará

Barco de pesca Meu Sonho navega pela baía do Guajará, em Belém - Pará
Barco de pesca 'Meu Sonho' navega pela baía do Guajará
Após navegar por aproximadamente 45 minutos, chega-se à ilha de Cotijuba, que tem parte de seu território também voltado para a imensa Baía do Marajó. Mais informações sobre a ilha e sobre a sua principal praia, a do “Vai-Quem-Quer”, serão conhecidas na próxima publicação.


Barco Lady Liria que liga Cotijuba e Icoaraci, em Belém - Pará
Barco Lady Liria que faz a travessia entre Cotijuba e Icoaraci
No retorno, saindo do terminal hidroviário de Cotijuba - oficialmente chamado de Poeta Antônio Tavernard - em direção a Icoaraci, dessa vez a navegação foi feita pelo barco Lady Liria, que parece ser a maior embarcação a transportar pessoas entre os dois pontos. De dois andares, ela pertence à prefeitura de Belém e faz o transporte das pessoas cobrando apenas o valor da passagem do ônibus coletivo urbano, ou seja, R$ 2,20. 


Aranha aparece em barco na travessia entre Cotijuba e Icoaraci, em Belém - Pará
Aranha em barco na travessia entre Cotijuba e Icoaraci
No meio da travessia, a fauna da região se fez presente com o repentino aparecimento de uma aranha, que se escondia entre as madeiras da embarcação. Fato natural, afinal estamos falando de uma região que, apesar de não ser desabitada pelas pessoas, ainda possui diversas áreas com mata fechada. Passado o pequeno susto e após o repentino sumiço tal qual o aparecimento, continuamos a navegar normalmente.


Pôr-do-So na baía do Guajarál visto a partir da orla de Icoaraci, em Belém - Pará
Pôr-do-Sol visto a partir da orla de Icoaraci
Ao final da tarde, após voltar ao ponto de início do passeio, o Trapiche de Icoaraci, é possível apreciar o belo pôr-do-Sol visto da orla, local que é inclusive mais do que aconselhado para quem gosta de fazer compras, sobretudo de itens de artesanato. Isso se explica pelo fato de Icoaraci ser considerada um polo na fabricação da famosa cerâmica Marajoara. Sendo assim, vale a pena passar nas organizadas lojinhas que têm uma bela vista para as ilhas e que possuem produtos muito bonitos e com preços justos. Tudo é organizado por uma Associação de Artesãos.

Rabeta (canoa) navegando pela baía do Guajará, em Belém - Pará
Pequena rabeta (canoa) navegando pela baía do Guajará


Por fim, a paisagem não urbanizada vista em algumas fotos pode enganar e fazer imaginar que estamos distantes da capital, por exemplo. Mas, incrivelmente, tudo o que foi visto nas imagens está dentro do território do município de Belém. São ilhas e mais ilhas, muitos distritos e vilas que apesar de estarem separados por baías, rios, furos e afins, fazem parte da capital do estado do Pará, o maior núcleo urbano da região Norte do país. Incrível!

Atualizado: confira a publicação sobre a ilha de Cotijuba e a praia do Vai-Quem-Quer clicando aqui.

Barco navegando pela baía do Guajará, em Belém - Pará
Barco 'Vencedor de Deus' navegando pela baía do Guajará

Cerâmica Marajoara fabricada em Icoaraci, em Belém - Pará
Cerâmica Marajoara