sexta-feira, 25 de abril de 2014

Amapá, extremo do Brasil: visita à APA do Rio Curiaú, em Macapá, com seus campos alagáveis e comunidade quilombola

O Amapá parecia ser um destino distante, quase inalcançável, talvez por ser um dos extremos mais isolados do Brasil e por estar localizado em plena Amazônia. Contudo, felizmente, tive a oportunidade, mesmo que rapidamente, de visitar um pouco dos interessantes atrativos que o estado tem a oferecer, ou, melhor dizendo, do que a pequena e simpática capital do estado tem a mostrar. Como na Amazônia a água sempre se faz presente, seja através dos enormes rios, pela alta umidade ou nas chuvas praticamente diárias, nada melhor do que iniciar a primeira postagem mostrando um local onde esta é o que não falta.

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Canoeiros nos campos alagáveis da Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú, em Macapá - Por Tito Garcez em 2014

  
Rodovia do Curiaú (AP-070), em Macapá, no Amapá
Em uma área localizada um tanto ao norte de Macapá, a pouco mais de 10 quilômetros do Centro da cidade, está a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Curiaú, que, além de possuir uma paisagem exuberante, tem uma relevante importância cultural; afinal é justamente nela que está o antigo Quilombo Curiaú, hoje chamado de Vila de Curiaú. Muitos desconhecem, mas a influência da cultura africana é muito forte no Amapá, o qual possui dezenas de comunidades quilombolas.

Casa de madeira na vila do Curiaú, antigo Quilombo Curiaú, localizada na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Casa de madeira na vila do Curiaú, antigo Quilombo Curiaú, em Macapá

Casa na vila do Curiaú, localizada na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Casa na vila do Curiaú, localizada na APA do Rio Curiaú, em Macapá
Africanos foram levados ao estado principalmente para trabalhar na construção da Fortaleza de São José de Macapá, no século XVIII (aproveite e clique aqui para conferir a publicação sobre essa que é considerada a maior fortificação da América Latina). As raízes africanas podem ser encontradas tanto na culinária como na religiosidade e nas danças e festividades locais. O Marabaixo, por exemplo, que é um um tipo de ritual de sincretismo religioso que reúne som com tambores, canto e dança, é considerado a principal manifestação cultural do estado. Na vila de Curiaú é interessante notar as construções, geralmente de madeira, e a vida tranquila que levam os que lá vivem.

Balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Deck do balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá

   Jaçanã (Jacana Jacana) no balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Jaçanã (Jacana Jacana) no balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú
Voltando a falar de água, a área que pode ser considerada mais turística é a do chamado Balneário do Rio Curiaú, localizado às margens da rodovia do Curiaú (AP-070), não apenas nos finais de semana e feriados, mas principalmente nas férias de julho, costuma ser muito frequentada principalmente pelos próprios amapaenses. Dentre os principais atrativos turísticos de Macapá, o balneário ainda não é um dos mais conhecidos e visitados por pessoas de fora, portanto, visitando-o, pode se ter o prazer aproveitá-lo com absoluta tranquilidade.  

  Balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Bar no balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Restaurante do balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá

No local, existem alguns bares e restaurantes simples. Ao lado da ponte  do rio Curiaú, foi construído um grande deck de madeira rodeado de alguns quiosques que podem ser usados livremente pelos frequentadores. Entre essa estrutura e a ponte, existe uma área reservada para aqueles que queiram entrar na água e nadar ou simplesmente relaxar.  

Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Curiaú, em Macapá

Quiosques do deck do balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá    
Quiosques do deck do balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá

Mas o melhor do balneário, sem dúvida, é a bela vista para a extensa área de campos inundáveis. A paisagem pode ser observada de qualquer ponto, inclusive dos dois lados da rodovia que corta a área alagada. Além da vegetação típica de ambientes alagáveis, é possível observar, ao longe, uma  área de mata fechada contrastando notavelmente com áreas utilizadas para pastagem.

Canoeiros navegam pelo Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá

Canoeiros na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Canoeiros na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá


Ao passar pouco tempo admirando a paisagem, é possível notar que, para chegar às comunidades que ficam mais distantes, por conta da vegetação aquática, os canoeiros não utilizam remos, mas sim longos galhos que podem chegar até o fundo, para assim dar sustentação e impulsionamento de  pequenas canoas.

Paisagem da APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Paisagem da APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá

Jaçanã (Jacana Jacana) no balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Jaçanã (Jacana Jacana) no balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú

No que diz respeito à fauna, as aves são as que se destacam. Exemplares de Jaçanã (Jacana, jacana), de Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) e de diferentes espécies de garças podem ser vistas facilmente. Quanto aos mamíferos, podem ser observados, ao longe, sobretudo os búfalos que são comuns nessa região do Norte do país.

Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) no balneário do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) no balneário do Rio Curiaú

   Casa na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Casa na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Terminado o passeio por essa tranquila e bela região de Macapá, retornamos à sede do município para conhecer os mais visitados atrativos turísticos, com destaque para a Fortaleza de São José de Macapá -considerada a maior da América Latina e a maior do mundo a ser construída pelos portugueses, para o Monumento do Marco Zero do Equador e para o interessante Museu Sacaca. Agradeço imensamente à equipe do Instituto Municipal de Turismo de Macapá (Macapatur) por todo o apoio que me foi dado enquanto conhecia a cidade, que se mostrou ser uma das preciosidades da Amazônia.

 Rodovia do Curiaú (AP-070) na área da APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Rodovia do Curiaú (AP-070) na área da APA do Rio Curiaú, em Macapá

Como chegar

Para chegar ao balneário e à vila do Curiaú através de transporte público, pode-se tomar, no Centro de Macapá, um ônibus da linha Curiaú/Centro. A linha funciona das 6:00 às 22:00, com intervalo aproximado de 80 minutos. É aconselhável esperá-lo preferencialmente nas paradas da Av. FAB. Na cidade, a tarifa custa R$ 2,10 e, aos domingos e feriados, custa metade, ou seja, R$ 1,05.

Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) na APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá

Quiosque no deck do balneário do Rio Curiaú, na APA do Rio Curiaú, em Macapá

Placa da APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá
Placa da APA do Rio Curiaú, em Macapá, no Amapá

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Em busca dos Guarás e dos Golfinhos: navegando e admirando aves na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Continuando a série de postagens sobre o litoral paraense, chega o momento de falar sobre o último e emocionante passeio realizado na ilha de Maiandeua, mais conhecida como Algodoal. Após ter feito a travessia entre Marudá e a ilha, e também depois de ter passeado pela vila do Algodoal e pelas praias da Princesa e do Farol (clique para acessar), ficou faltando fazer um passeio que me possibilitasse ver, pela primeira vez, uma das aves ícones da Amazônia, que, inclusive, é uma das mais chamativas e belas: o Guará. O passeio também foi programado com o intuito de ver golfinhos, que vivem pela baía de Marapanim, mas disso falarei já já.

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Guarás voam na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Guarás na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará - Por Tito Garcez em 2014

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A partir do entorno do Porto do Algodoal, no comecinho da vila, é possível encontrar pequenas embarcações - principalmente canoas motorizadas, que no Pará são conhecidas como rabetas - que realizam tanto traslados para as outras principais vilas da ilha, como Camboinha e Fortalezinha, bem como possibilitam que o visitante faça passeios pelas baías de Marapanim e de Maracanã e pelas praias e furos da região. Para realizar o passeio por entre o manguezal, foi desembolsado o valor de R$ 50,00 (que pode e deve ser negociado), que é o preço para uso da embarcação, independente da quantidade de pessoas que a utilizem. A que foi utilizada, por exemplo, comportava umas 10 pessoas. Ou seja, o passeio poderia sair por apenas R$ 5,00 para cada um. Uma pechincha!

Concentração de Biguás ou Mergulhões (Phalacrocorax brasilianus), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Concentração de Biguás ou Mergulhões (Phalacrocorax brasilianus), na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), em um curral na baía de Marapanim, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), na ilha de Maiandeua
Detalhes acertados, iniciamos o passeio, a princípio tranquilo, pelas águas da baía de Marapanim. De início, já é possível observar algumas aves que habitam aquela região. Mergulhões, Maçaricos-de-bico-torto, garças-brancas-pequenas e Martins-pescadores-grandes são vistos na margem ou acima de troncos secos e dos currais montados para a captura de peixes. E é justamente nesse trecho, que é mais tranquilo, que os golfinhos costumam aparecer, já que por ali buscam alimento. Mas ainda não haviam aparecido...


Rabeta (canoa) navega por entre manguezal na baía de Marapanim, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Rabeta navega por entre manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Tempo nublado e comunidade de pescadores na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Comunidade de pescadores na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Por praticamente todo o tempo em que estive na ilha de Maiandeua, o tempo estava fechado, nublado, o que é normal pelo fato de que, no mês de fevereiro, estamos em pleno inverno amazônico, período em que mais chove, mesmo no litoral. E naquele dia, naquele fim de tarde, não foi diferente, e ainda tinha um agravante: é justamente ao final do dia que as famosas - e fortes - chuvas equatoriais acontecem. E tudo indicava que elas se fariam presentes logo logo, afinal o chuvisco que se iniciava e, as nuvens mais pesadas, sinalizavam isso.

Barco 'Nativo' navega por entre o manguezal na baía de Marapanim, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Barco 'Nativo' navega por entre o manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Revoada de Biguás ou Mergulhões (Phalacrocorax brasilianus), em Maiandeua (Algodoal), no Pará
Revoada de Biguás ou Mergulhões (Phalacrocorax brasilianus), em Maiandeua (Algodoal)

Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata), na ilha de Maiandeua
Com o começo da leve chuva, guardamos mochilas, celulares, e, infelizmente, as câmeras. Tudo estaria sob controle se não fosse por um "pequeno" detalhe: os golfinhos resolveram fazer uma breve aparição bem perto da rabeta. Isso foi ótimo e ruim ao mesmo tempo. Foi legal por saber que eles de fato podem ser vistos com certa facilidade, mas foi péssimo porque infelizmente não puderam ser registrados fotograficamente. Mal pude observá-los e por um tempo isso foi frustrante. Mas prosseguimos com o passeio, que com uma trégua da chuva, permitiu que as câmeras pudessem voltar às nossas mãos, mesmo que tardiamente.

Guará (Eudocimus ruber) voa por entre o manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Guará (Eudocimus ruber) voa por entre o manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Guarás (Eudocimus ruber), no manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Guarás (Eudocimus ruber), no manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal)
A frustração que foi sentida começou a diminuir quando, pouco a pouco, começamos a ver, ao longe, os primeiros exemplares dos também tão esperados Guarás. As aves com uma coloração vermelha bem forte, que habitam principalmente mangues, começaram a ser notadas na copa de algumas árvores, nas margens e também voando. Chegarmos ao manguezal ao final de tarde tem os seus prós, afinal, é nesse período do dia que as aves costumam voltar para o descanso noturno. Então aquele era o melhor momento para vê-las!

Revoada de Guarás (Eudocimus ruber), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Revoada de Guarás (Eudocimus ruber), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Guarás (Eudocimus ruber) no manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Guarás (Eudocimus ruber) no manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal)
A cor forte que geralmente se faz presente na plumagem nos Guarás se justifica pelo fato de que eles costumam se alimentar, principalmente, de uma espécie de crustáceo, o pequeno caranguejo Chama-maré, que possui pigmentos que possibilitam essa cor. Quando essas aves são mantidas em cativeiro, geralmente apresentam coloração mais clara, justamente pela falta do alimento principal. Na natureza, elas vivem geralmente em bandos, pequenos ou grandes e, no Brasil, podem ser encontradas principalmente na região Norte do Brasil - no Amapá e no Pará - e no Maranhão. Há décadas (ou séculos) elas podiam ser encontradas com facilidade na Mata Atlântica, nos litorais do Sul e do Sudeste, mas, com a constante caça e desenvolvimento urbano, que arrasou com os manguezais, a espécie foi praticamente considerada extinta nessas regiões. Contudo, pouco a pouco ela está voltando a povoar áreas preservadas nesses litorais.

Barco 'J. Filho' e o manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Barco 'J. Filho' e o manguezal na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Encontro de pescadores na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Encontro de pescadores na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Gavião voa com a presa na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Gavião voa com a presa na ilha de Maiandeua (Algodoal)
Por entre o manguezal é possível observar também a movimentação de embarcações - principalmente utilizadas para a pesca - que vem e vão entre as baías de Marapanim e Maracanã, provavelmente transitando sobretudo entre as vilas do Algodoal, Camboinha e Fortalezinha, essa última que fica na outra extremidade da ilha de Maiandeua. E, voltando a falar da fauna, foi interessante perceber também a grande quantidade de aves de rapina que por ali vivem. Em poucos minutos, foi possível ver aves inclusive pescando. Foi impossível ver tantos gaviões e não lembrar de um dos lugares mais especiais que já conheci, o Parque dos Falcões - que inclusive já publiquei a respeito aqui no blog. Clique aqui para conferir - um dos mais importantes centros de conservação de aves de rapina do Brasil, localizado em Sergipe.

Gavião-carrapateiro (Milvago chimachima), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Gavião-carrapateiro (Milvago chimachima), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Gavião à espreita na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Gavião à espreita na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Revoada de Guarás (Eudocimus ruber), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Revoada com dezenas de Guarás (Eudocimus ruber), na ilha de Maiandeua
Ao iniciar o retorno , o tempo voltou a chamar a nossa atenção. Nuvens pesadas, muito escuras, se aproximaram mais rapidamente e o vento ficou mais intenso, ou seja, tudo indicativa que dessa vez não escaparíamos da temida chuva equatorial. Mas ainda nos restava a esperança de chegar à terra firme antes do pior momento. Em meio à tensão, começamos a ver revoadas e mais revoadas, algumas com dezenas de indivíduos, sendo essas principalmente de Guarás, que, aparentemente, sentiam que o tempo não seria favorável a eles também e queriam chegar logo às copas das árvores. Felizmente, foi possível fazer alguns registros antes da chuva, que de fato voltou a nos alcançar e, dessa vez, aliada ao vento forte, que foi um ingrediente explosivo, conseguiu deixar a todos com frio mesmo estando em plena Amazônia. Mas nada que não pudesse ser tolerado por 15 minutos.

Garça-branca-pequena (Egretta thula), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Garça-branca-pequena (Egretta thula), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Urubus na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Urubus na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Bom, apesar da chuva e da rápida e não registrada aparição dos golfinhos, esse é um passeio recomendável para aqueles que apreciam observar principalmente as aves. Além do nascer do dia, o melhor horário para vê-las parece ser de fato o final da tarde, mas é preciso ter em mente que é justamente nesse momento que mais costuma chover. Sendo assim, é recomendável ir com o mínimo de precaução para proteger objetos que não possam ser molhados. Tendo o mínimo de cuidado, faça o passeio e aprecie as belas paisagens que esse pedacinho do estado do Pará tem a oferecer ;)

Manguezal e barraca de pescadores, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Manguezal e cabana de pescadores, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex), na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Barco 'Gaiato' na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Barco 'Gaiato' na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará

Gavião voa na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Gavião voa na ilha de Maiandeua (Algodoal)

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terça-feira, 8 de abril de 2014

Litoral Paraense: um passeio pelas encantadoras praias do Farol e da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal)

A ilha de Maiandeua, popularmente chamada de Algodoal, atrai os visitantes principalmente pelas belezas naturais. Além de belas praias, o visitante tem a oportunidade de visitar lagoas, dunas, manguezais e observar a fauna e a flora que no geral estão bem preservados, afinal toda a ilha é uma Área de Preservação Ambiental (APA). Após falar sobre a travessia até a ilha (clique para acessar a publicação) e mostrar a vila do Algodoal, chega o momento de falar principalmente sobre um dos lugares mais visitados: a bela praia da Princesa. Será mostrada, também a chamada praia do Farol, que fica no caminho, além de outras coisas.

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Revoada de aves na praia do Farol (ou da Princesinha), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Revoada na praia do Farol (ou da Princesa), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará - Por Tito Garcez

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Canoeiro e canoa do Flamengo no Furo Velho, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Canoeiro e canoa no Furo Velho, na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Saindo da vila do Algodoal, que é o local onde os visitantes se hospedam ou de onde geralmente desembarcam ao chegar à ilha, é necessário seguir até o chamado Furo Velho, que é um canal que obrigatoriamente precisa ser atravessado. Na maré baixa é possível fazer a travessia à pé, inclusive pela própria praia da Caixa d'Água, que é a que fica em frente à vila. Contudo, na maré alta, é necessário fazer a travessia em canoas que ficam localizadas pouco depois do término da primeira rua - que fica logo atrás da praia - oficialmente chamada de Bertoldo Costa. Pagando apenas R$ 1,00, é possível fazer a travessia que dura não mais que 1 minuto.  

Canoa Fusquinha 27 no Furo Velho, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará - Por Tito Garcez
Canoa Fusquinha no Furo Velho, na ilha de Maiandeua

Farol e paraquedista na praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal)  
Farol e paraquedista na ilha de Maiandeua 
Ao desembarcar da canoa, já se está na chamada praia do Farol, que precede a famosa praia da Princesa. Nela, foram construídas espaçadamente poucas construções principalmente de madeira, que na baixa temporada costumam ficar vazias, como se estivessem abandonadas. Dela, já é possível avistar o farol da ilha e, se tiver muita sorte, alguns paraquedistas passando próximo a ele para posterior pouso na praia mais conhecida, ajudando a colorir o céu nublado, nada incomum de se ver no chamado inverno amazônico.

Algumas construções na  praia do Farol (ou da Princesa), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Algumas construções na  praia do Farol

Meios de transporte da ilha de Maiandeua (Algodoal) são vistos na praia do Farol (ou da Princesinha)
Meios de transporte da ilha de Maiandeua (Algodoal), na praia do Farol
Na praia de extensão considerável, podem ser observados o vai e vem de pessoas, estejam à pé ou de charrete, que têm como destino a praia seguinte. Por se tratar de um trajeto que à pé, a partir do canal, pode levar de 20 a 30 minutos, há quem prefira chegar ao destino com um pouco mais de conforto. Para tanto, tem-se que desembolsar R$ 10,00 para o trajeto do canal à praia da Princesa e R$ 20,00, caso a rota seja iniciada no porto da vila. Na maré baixa, as charretes podem ir do porto à praia da Princesa cruzando o Furo Velho. Contudo, na maré alta, é necessário continuar o trajeto pegando uma charrete que esteja do outro lado.

Aves e barquinho à vela na praia do Farol (ou da Princesinha), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Aves e barquinho à vela na praia do Farol, na ilha de Maiandeua (Algodoal)

Revoada tendo ao fundo a ponta do Boiador, na  praia do Farol (da Princesa), na ilha de Maiandeua (Algodoal), Pará
Revoada tendo ao fundo a ponta do Boiador,  na  praia do Farol
O melhor da praia do Farol só pode ser visto se a pessoa tiver sorte (como felizmente eu tive). Logo após o Furo Velho, próximo ao que seria a sua "foz", centenas de aves se aglomeravam descansando ou voando, em revoada, através da praia, proporcionando assistir a um dos mais belos espetáculos da natureza. Foi possível observar a presença de algumas espécies, como Talha-mar (Rynchops niger), Trinta-de-réis-boreal (Sterna hirundo) e Maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará - Por Tito Garcez), que aparentemente conviviam pacificamente, inclusive enquanto voavam. Além de registrá-las, a melhor experiência é a de estar cercado pelos belos pássaros enquanto voam. Momento para jamais esquecer!


Cachorro e seu reflexo na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no ParáCão e seu reflexo na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará


Pedras e bares na baixa temporada da praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Pedras e bares da praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal)
Prosseguindo com a caminhada, ao final da praia do Farol está a Ponta do Boiador. Após a ponta, já se está na praia mais badalada da ilha, a que todos querem ir. Mas calma... Badalação mesmo só será notada nas férias de julho ou em feriados prolongados, que é quando muita gente chega ao lugar, vindo principalmente da região metropolitana de Belém. Fora de épocas como essas, mesmo em um final de semana (principalmente se for no inverno), tudo estará mais tranquilo.

Bares e farol da praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no litoral paraense na baixa temporada
Bares e farol da praia da Princesa, na ilha de Maiandeua

Charretes (carroças) na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Charretes (carroças) na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)
A partir da Ponta do Boiador já é possível ver uma dezena de bares que servem aos visitantes da praia da Princesa. Na alta temporada todos costumam funcionar. Como era um final de semana, a maior parte estava aberta, mas em dias úteis poucos devem abrir. É possível notar construções de tamanhos variados, todas de madeira e bem elevadas, para assim não sofrer com os efeitos da maré alta, já que a variação de nível é considerável. Costumam ser oferecidos principalmente pratos preparados com peixes da região.

Barco de pesca e pessoas na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Barco de pesca e pessoas na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)

Garça-branca-pequena na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no litoral paraense
Garça-branca-pequena (Egretta thula) na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)

Pescador na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua
Na maré baixa, a praia possui uma extensão que em alguns trechos facilmente supera os 300 metros. Em determinados horários, leva-se alguns minutos até se chegar ao mar, que apesar de conter ondas, não são fortes. Quando a maré está no seu nível mais baixo, é possível notar o aparecimento de algumas piscinas naturais em trechos que possuem pedras, principalmente nas proximidades do bar mais conhecido da praia, o Bar da Pedra (que inclusive estava fechado) que, no trecho dos bares, fica no extremo oposto ao da Ponta do Boiador. Nelas, é possível relaxar despretensiosamente, observar as aves, com destaque para as diferentes espécies de garças, como a Garça-branca-pequena (Egretta thula) e a Garça-branca-grande (Ardea alba) - só aí passei a observar melhor as particularidades entre as espécies - e também o curioso pássaro com nome de Batuiruçu-de-axila-preta (Pluvialis squatarola). É possível ver, também, os peixes - como os Tralhotos (Anableps anableps), que nadam curiosamente na superfície da água - que podem ter ficado presos no entorno das pedras, e os pescadores, estejam em seus barcos ou com suas redes próximo à terra firme.

Batuiruçu-de-axila-preta na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Batuiruçu-de-axila-preta (Pluvialis squatarola) na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua

Bar das Pedras na praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Novo Bar da Pedra na praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal)
Logo após o Bar da Pedra, a praia da Princesa continua, só que a partir desse ponto ela torna-se menos estruturada, quase não se vê construções. Ou seja, é ideal para quem quer ainda mais tranquilidade (fora da alta temporada, é claro). Dali, vale a pena sair da praia e fazer um passeio pelas dunas, observar a vegetação costeira da região e algumas pequenas lagoas que se formam principalmente na época chuvosa.

Lagoas, dunas e a  praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Lagoas, dunas e a  praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua

Casa de madeira na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Cabana de madeira na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)

Dunas da praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Dunas da praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua
Para os que desejam ir até a Lagoa da Princesa, que é considerada a principal da ilha, o trajeto é feito passando por toda a praia e depois entrando em uma trilha. Estima-se que leva 1 hora de caminhada, por isso, muitos preferem ir de charrete, que saindo tanto da vila como do Furo Velho, tem valor tabelado: R$ 30,00. Portanto, ao estar na praia e ver algumas charretes seguindo com passageiros aparentemente para um trecho "desértico" da praia, não estranhe. Provavelmente todos estão indo visitar a famosa lagoa.

Charretes (carroças) na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Charretes (carroças) e seus reflexos na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)

Cachorro brinca nas lagoas que surgem na maré baixa na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)
Cão brinca nas lagoas que surgem na maré baixa na praia da Princesa
No retorno à vila, ao invés de seguir pela praia, é possível pegar um atalho. Atrás de alguns bares se inicia uma trilha de areia fofa por entre a vegetação típica da região, que passa ao lado de algumas casas simples de pescadores e que, próximo ao seu fim, após poucos minutos de caminhada, chega ao farol. A estrutura, que aparenta ter por volta de 40 metros de altura, por ser aberto, é um convite aos aventureiros - leia-se corajosos - que desejem ter uma bela vista que contempla as praias, a vila, as dunas e também a vegetação densa do interior da ilha, que não é muito visitado. A vista é linda, mas o esforço para subir não é para qualquer um. 

Lagoas e dunas em frente à praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Lagoas e dunas em frente à praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)
Lagoas que aparecem na maré baixa na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Lagoas que aparecem na maré baixa na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua
Registros feitos, prosseguindo na trilha, em questão de alguns metros se chega em mais algumas casas, aparentemente de veraneio, e logo após já aparece a praia do Farol, lugar que apesar de não ser badalado, possibilitou a melhor experiência do passeio. E é nela que nos despedimos das praias da ilha de Maiandeua. Mas ainda não nos despediremos da ilha, já que no próximo relato será mostrado um passeio de canoa - mas conhecida por lá como rabeta - através de manguezais e com muita história para contar. Vale a pena conferir! ;)

Cabana de madeira e vegetação litorânea na praia da Princesa, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no ParáPlaca sinaliza a travessia através do Furo Velho, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará


Peixe Tralhoto, que nada na superfície da água, na Ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Peixe Tralhoto (Anableps anableps), que nada na superfície da água, na Ilha de Maiandeua (Algodoal)

Placa do carangueijo Toc-Toc (que é o que precisa ser quebrado) na praia da Princesa, na ilha de Maiandeua (Algodoal), no Pará
Placa do "caranguejo Toc-Toc" (que é o que precisa ser quebrado), na praia da Princesa

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